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Ciclo de palestras apresenta à população estudos do Projeto Ilhas do Rio nas Cagarras


Visão da Ilha Comprida. Ao fundo, Ilha de Palmas.

Nos dias 4 e 5 de abril, o Projeto Ilhas do Rio realizou um ciclo de palestras sobre diversos aspectos do Monumento Nacional das Ilhas Cagarras. Elas fizeram parte da exposição interativa que aconteceu no Forte de Copacabana durante a Semana Santa e que aproximou a população de temas como o monitoramento as espécies que vivem no arquipélago, o controle dos pescados realizado pela Colônia de Pescadores Z13 e o próprio programa.


Baleia-jubarte saltando e mostrando sua nadadeira caudal (Foto: Bia Hetzel)

A primeira reunião foi proferida pelo biólogo Rodrigo Tardin e apresentou ao público as espécies de cetáceos que costumam ser vistos no entorno das ilhas, como o golfinho-flíper (que vivia no arquipélago, mas teve sua população reduzida e em alguns anos sequer é visto), o golfinho-de-dentes-rugosos (encontrado também perto do Forte de Copacabana e da praia), a orca (raramente vista no local), a baleia-franca-austral (cada vez menos vista), a baleia-jubarte (comum principalmente no meio do ano) e a baleia-de-bryde (pouco conhecida em todo o mundo, mas frequente nas Cagarras durante o verão e o outono).


Exemplares de golfinho-flíper (Tursiops truncatus) vistos na região (Foto: Liliane Lodi)

Tardin explicou que o trabalho do projeto consiste em analisar a distribuição desses animais pela área, as características de cada grupo e a fidelidade do local. Por isso, é uma atividade que requer paciência, já que os pesquisadores podem estar em um lado das ilhas e os bichos, em outro. Através do estudo, cada indivíduo foi identificado (os cetáceos possuem em suas nadadeiras marcas únicas que servem como a "impressão digital" de cada um), o que permitiu analisar o processo migratório deles, comprovando que o retorno ao local é comum após eles irem embora.
Em seguida, o biólogo falou sobre as ameaças existentes no entorno do monumento, apesar da proteção existente no território. De acordo com ele, aspectos como a poluição e o lançamento de esgoto reduzem a quantidade de alimentos disponíveis, diminuindo também a população. Além disso, a captura acidental por redes de pesca também traz riscos (nem sempre a soltura é possível), assim como o perigo da colisão com embarcações.


Da Ilha Comprida, pode-se ver também a Ilha Cagarras, além de uma visão única do Leblon, de Ipanema, de Copacabana e do Leme

Muitas vezes, as consequências desses incidentes são percebidas apenas a longo prazo: como essas espécies possuem baixa fecundidade (ou seja, nascem poucos filhotes), maturidade sexual tardia (que pode demorar até dez anos para ser atingida) e grande mobilidade, cada indivíduo afetado pode gerar um grande impacto nas futuras gerações. "Os cetáceos controlam as outras populações. Sem eles, todos os ambientes marítimos são ameaçados", observou Tardin.


Casal de atobá-marrom (Sula leucogaster) guardando o ninho no cume da Ilha Redonda. A coloração da pele ao redor do olho é diferente entre os sexos: no macho, que está em primeiro plano, ela é azulada, enquanto nas fêmeas a mesma é amarela com uma mancha negra (Foto: Igor Camacho)

A segunda palestra, conduzida pela bióloga Larissa Cunha, teve como foco as aves marinhas do local. Primeiro foi apresentado o atobá-marrom, que pode ser identificados pela população durante seus mergulhos para pesca, quando costumam ser confundidos com gaivotas. Essa espécie forma a maior colônia das Cagarras e possui uma peculiaridade: as fêmeas sempre colocam dois ovos no chão e quando o primeiro é chocado, o segundo filhote é abandonado para morrer, transformando-se em alimento para outros atobás.


Filhote de atobá-marrom (Sula leucogaster) recém-nascido registrado na Ilha Cagarra. Ao lado, seu "irmão" se preparando para sair do ovo. Segundo a Pesquisadora Larissa Cunha (UFRJ) já foram estimados mais de 3.000 indivíduos dessa espécie no Monumento Natural das Cagarras (Foto: Fernando Moraes)

O trabalho do Projeto Ilhas do Rio consiste em pesar e medir esses ovos. Caso haja alguma diminuição, isso pode indicar estresse ou falta de alimentos. Os adultos também são mensurados e recebem anilhas com números de identificação. As análises deles mostraram, por exemplo, que há alguns casos de casais que vivem juntos e cujos ninhos sempre ficam nos mesmos lugares. O estudo dos atobás-marrons analisa ainda os poluentes orgânicos presentes no ambiente através de amostras de penas, ovos e do regurgito das aves (o vômito é uma estratégia de defesa após a captura, pois ao expelirem o alimento, elas costumam dispersar os predadores). Cerca de 15 tipos de peixes fazem parte da dieta dessa espécie.


A Técnica do Anilhamento consiste na colocação de um anel metálico e/ou de plástico colorido no tarso da ave; desta forma pode-se recuperar informações sobre exemplares marcados e analisar dispersão, fidelidade ao local de nascimento, fidelidade ao parceiro, ao local de ninho, etc (Foto: Gustavo Pedro)

As fragatas também foram apresentadas pela bióloga, que destacou ser fácil encontrá-las voando em toda a cidade. Existem mais de 3 mil delas no arquipélago, apesar da colônia se concentrar na Ilha Redonda. Diferente do atobá-marrom, a fragata não mergulha para não molhar suas penas (dessa forma, elas ficariam pesadas e elas seriam incapazes de planar no ar quente, sua principal forma de locomoção - com mais peso, elas não conseguiriam voar sem bater as asas, como costumam fazer) e captura sua comida no ar, após perturbar outras aves como os próprios atobás e as gaivotas. Recentemente, os exemplares desse pássaro foram marcados com GPSs e sempre que eles sobrevoam áreas onde há sinal de telefone, elas transmitem informações referentes às suas localizações. Dessa forma, foi constatado que diariamente elas vão à Baía de Guanabara, onde obtém sua alimentação.


As fragatas fêmeas apresentam peito branco, bico cinza escuro e tamanho maior (Foto: Fernando Moraes)

Outras aves também vivem no monumento, como o carcará, o tiê-sangue, o maguari e a garça-grande-real. Os impactos ambientais, como os detritos plásticos (carregados por elas mesmas) ameaçam todas essas espécies. Outro problema é a proximidade de barcos turísticos que, visando proporcionar melhores fotos para os visitantes, fazem barulho com seus motores ou buzinas para elas voarem, o que resulta no abandono dos ninhos.


Com a maior superfície de asa em relação ao peso corporal, as fragatas (Fregata magnifi cens) podem permanecer horas ou dias planando, com gasto energético muito pequeno. Este macho de fragata está em período reprodutivo, quando infla o saco gular para atrair uma fêmea, Ilha Redonda (Foto: Igor Camacho)

A terceira palestra explicou aos presentes como funciona o monitoramento do desembarque pesqueiro na Colônia de Pescadores Z-13, no Posto 6. Ela foi conduzida pelo biólogo Rodrigo Cumplido, que explicou que esse estudo é necessário para entender o sistema produtivo, entender as áreas e os apetrechos usados pelos profissionais do grupo (que também recolhem voluntariamente o lixo encontrado), classificar as espécies e medir a produção.


Mutirão de limpeza na Ilha Comprida (Foto: Fernando Moraes)

De acordo com Cumplido, o principal método da colônia é a pescaria por rede de emalhe, mas também são utilizadas outras técnicas, como o arbalete (para pesca submarina), a linha-de-mão (acompanhada ou não de caniço e/ou anzol e isca natural) e a coleta manual. No desembarque, as espécies são separadas, expostas, pesadas e medidas. Esses valores são inseridos em uma tabela desenvolvida pelos biólogos e interferem também nos preços cobrados do consumidor final. As principais espécies pescadas são a corvina e o bagre-branco, mas outras como o pampo, a garoupa, o mamangá, a raia-borboleta e o badejo-mira são bastantes comuns na região.


Fotógrafo subaquático Áthila Bertoncini trabalhando na piscina de maré, Ilha Redonda. É fundamental aproveitar a maré baixa nesse local (Foto Fernando Moraes)

O último dos encontros, apresentado pela supervisora de mobilização social do Projeto Ilhas do Rio, Camila Meireles, foi sobre o trabalho desenvolvido pela própria iniciativa. Ela contou que a criação do programa aconteceu em 2011, após o grupo vencer o edital Petrobrás Ambiental. Em 2013, esse auxílio foi renovado e os estudos passaram a abranger também as ilhas Rasa (situada em frente a Copacabana, onde há um farol), Maricás (perto do município homônimo) e Tijucas (nas imediações de São Conrado), permitindo a comparação da biodiversidade desses ambientes.
Apesar do Monumento Nacional das Ilhas Cagarras ser composto de todo o arquipélago, apenas seis ilhas dele (Cagarras, Filhote da Cagarra, Palmas, Comprida, Redonda e Filhote da Redonda) integram o projeto. Nelas, são desenvolvidas diversas linhas de pesquisa, que, além dos temas nas palestras anteriores, estudam também aspectos como a arqueologia do local (foram encontradas cerâmicas possivelmente milenares na Ilha Redonda), a flora e até as rochas do fundo do oceano.


Viola-de-cara-curta (Zapteryx brevirostris), uma das poucas espécies de elasmobrânquios observada, ainda que raramente, nos costões do Monumento Nacional das Cagarras, Ilha Comprida. A posição das suas fendas branquiais, dispostas na porção ventral, distingue as raias dos tubarões, que têm as mesmas na lateral do corpo (Foto: Áthila Bertoncini)

Camila informou que, a cada saída, são feitas novas descobertas. De acordo com ela, dois dias antes do evento, um oceanógrafo identificou a existência de uma espécie até então desconhecida no local, o peixe-cachimbo. Além disso, foi constatada a presença de coelhos europeus, que não são nativos do local e que podem causar um problema ambiental ao se alimentarem de seres que acumulam água doce, já que não há fonte disso lá. Outro invasor detectado foi o capim colonial, que está sendo removido aos poucos e substituído por plantas nativas, germinadas no Jardim Botânico e plantadas através de diversas técnicas.


O sifão colorido do gastrópode Cymatium parthenopeum é um exemplo das belezas intrínsecas nos detalhes das espécies marinhas locais, Ilha Redonda (Foto: Áthila Bertoncini)

Para levar o assunto à população, o projeto realiza cursos, palestras, exposições e mutirões de limpezas no local, além de manter um centro de visitantes na Colônia de Pescadores Z-13. Mais informações podem ser obtidas em www.maradentro.org.br/ilhasrj.



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