Coluna "Os Cinemas de Copacabana": Cine Bruni (1961 - 1989) / Star Copacabana (1989 - 1998)


O Cine Bruni Copacabana foi lançado acompanhando a tendência imobiliária de aliar empreendimentos residenciais a galerias comerciais. Na década de 1960, o conceito de shoppings centers como nos moldes atuais ainda era impensável, mas a ideia de reunir diversas lojas em um mesmo endereço era bem vista, assim como a de morar perto de um cinema. Assim foi feito com o Alaska e o Royal, cerca de dez anos antes; o Cine Bronx/Riviera/Cinema II, o Paris Palace (inaugurado cinco meses antes) e outros em bairros variado. Tal qual os outros, se tornou uma referência na região. Todos sabiam qual era a “galeria do Cine Bruni”. O endereço, na Rua Barata Ribeiro, 502, é comumente confundido com o ocupado pela icônica loja Modern Sound por muitas décadas, mas o cinema ocupava o subsolo da galeria vizinha, o que justifica os dois empreendimentos terem coexistido desde 1966, quando o espaço comercial foi inaugurado, cinco anos após o cinema.


O Bruni Copacabana manteve-se com prestígio durante os anos iniciais. Sua programação variava entre filmes que não eram mais lançamentos, atraindo o público que os perdera em cartaz, e outros títulos muito queridos pelos espectadores, como comédias de Jerry Lewis. Como outros cinemas, houve tentativas de dialogar com expressões artísticas diferentes, como em 1965, quando aconteceu ali a vernissage da exposição do artista plástico Alcides Santos Coelho, então pouco conhecido no meio, mas no mesmo ano, o cinema alcançou seu ápice com um filme. No lançamento de “Help!”, dos Beatles, ele fez parte do circuito da estreia, atraindo um enorme público. Na época, a Rede Bruni informou à mídia que a produção tinha a maior bilheteria de todos os tempos no Rio. As filas pelos ingressos chegavam a três horas de espera.


Quem esteve naquele cinema nessa ocasião não imaginava que, cinco anos depois, o Bruni Copacabana se tornaria um espaço decadente, marcado por poltronas sem estofado, tapetes podres e mofados e mal cheiro constante. Os problemas pioraram a ponto de, na década seguinte, ser apontado frequentemente como o pior cinema do bairro. Naquela altura, reclamações sobre mofo, infiltrações a até goteiras eram constantes. Nessa época, a sala passou a ser gerida pelo Grupo Roberto Darza, que adquiriu a Rede Bruni em 1981. Gradualmente, os cinemas da companhia foram modernizados e o mesmo ocorreu com o Bruni Copacabana. As obras começaram a ser planejadas em 1987, quando foi discutida a divisão da enorme sala em duas para 250 espectadores. A reforma, entretanto, só saiu do papel dois anos depois, preservando o espaço em suas configurações originais.


Para se distanciar ao máximo dos problemas que acompanharam a maior parte da trajetória do Bruni Copacabana, o nome foi alterado para Star Copacabana. Nascia um novo cinema, com tapetes e poltronas trocados e projetor e sistema de som atualizados. Os banheiros e o balcão foram inteiramente revitalizados e os acessos, alargados para se adaptar à legislação daquele momento. Tornando o lugar ainda mais confortável, o espaço entre as poltronas foi ampliado, o que reduziu a capacidade de 522 para 411 espectadores.


A nova fase fez muito sucesso no começo, mas logo a decadência chegou também ao Star Copacabana, que competia diretamente com a concorrência dos videocassetes caseiros. Em 1998, exibiu sua última sessão, fechando as portas definitivamente.