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Maquete em Copacabana resgata a memória ferroviária do Brasil

  • há 2 minutos
  • 4 min de leitura

O shopping Santa Clara 33 esconde uma joia pouco conhecida em Copacabana: uma maquete ferroviária. Instalada no 6º andar, a estrutura foi construída pelo colecionador Ricardo Reis e reúne locomotivas reproduzidas em escala, cenários imaginários e mecanismos que simulam o funcionamento de uma pequena cidade. O projeto, desenvolvido ao longo de anos, nasceu da paixão do criador pelas ferrovias e tem como objetivo preservar a memória de um sistema que perdeu força no país.



“A ideia é promover o resgate da memória por meio do viés preservacionista”, reflete. As locomotivas são produzidas em impressoras 3D, reproduzindo modelos que realmente existiram em escala 1:87. Detalhes como a parte interna delas também foram lembrados: em algumas, dá para ver poltronas, bagageiros, refeitórios, e até diferenciar a primeira classe das demais. “Procuro documentar tudo para as novas gerações entenderem o quão rica era nossa frota. O Brasil já teve mais de 30 mil quilômetros de ferrovias e agora, isso tudo está quase erradicado. Não há preocupação nem em manter as estações tombadas”.



Sua maquete é composta por diversos cenários, que, diferente das locomotivas, não retrata nenhuma localidade real. Algumas, como Rafaquel, Raquelândia e Rafa Rick Village fazem referência aos seus filhos, Raquel e Rafael (apelidado de Rick na infância); há também homenagem à sua mãe, lembrada na fictícia Vila Conceição. O bairro de Copacabana é mencionado, mas de uma maneira diferente da usual: na versão de Reis, não há praia e sim uma grande lagoa.



Enquanto apresenta sua criação, o colecionador apresenta outros detalhes: em um canto, há uma reprodução de uma indústria que constrói trens elétricos. Em outra parte, uma estação é conectada, por meio de uma passarela para os passageiros imaginários caminharem, a um terminal de ônibus, onde há uma avenida com miniaturas de carros e um bonde (que, assim como os trens, também se move pelo espaço), representando um terminal intermodal. Em outro pedaço, quando o trem passa, uma cancela se fecha e um alarme sonoro simula um aviso aos carros que estariam circulando por ali, caso aquilo fosse uma cidade de verdade. Há também pequenos bonequinhos representando curiosos fotografando as composições, outros escalando árvores para pegar frutas e até um extraterrestre escondido, em meio a sons de animais e barulhos que remetem a uma cidade.



“Comecei a montar a maquete em meu apartamento, mas estava ocupando espaço demais. Quando me aposentei, a trouxe para essa loja, que é minha, só que ela ficou pequena. Então, precisei crescê-la”. As partes estrutural e elétrica foram projetadas por um amigo, Edmo Gomes. Os detalhes estéticos são ideias duas, que, ao longo dos anos, contou com ajuda dos filhos. “A maquete virou parte da nossa história. Tenho fotos deles ainda crianças trabalhando nela”. Atualmente, ambos são adultos e trabalham fora. “Acho muito legal. Quando falo com minhas amigas, elas acham interessante, mas não sabem exatamente como é. O que mais gostei de fazer foram as partes de pedra, com isopor”, conta Raquel. Outros materiais usados por Reis são compensados de madeira, telas de galinheiro, gesso e ataduras gessadas... “A Lagoa Copacabana foi feita com resina e tinta acrílica”, continua o pai.



A paixão do colecionador pelos trens começou também em sua infância. “Eu era pequeno, ainda usava chupeta, e ficava extasiado naqueles brinquedos infantis que são uns carrinhos passando por trilhos. Quando comecei a ter noção, via a locomotiva a vapor passando perto da casa da minha avó, em Coelho Neto, e queria me aproximar para ver”. Nessa época, seu avô era telegrafista da Estrada de Ferro Central do Brasil e contava histórias para o neto, alimentando o interesse e aumentando a curiosidade.



Reis estima ter, em média, 80 locomotivas. Orgulhoso, conta a história de algumas, apontando as respectivas unidades: “Aquela azul e branco era um trem presidencial. Havia uma varanda (reproduzida na maquete) e o Getúlio Vargas e o Juscelino Kubitschek fizeram comícios nele. Aquela outra é a Cacique, que saía da Leopoldina, sentido Niterói. Quando chegava em Campos dos Goytacazes, no trecho de lá até Cachoeiro de Itapemirim, passava por aldeias indígenas. O trem foi batizado dessa forma para homenagear todas. Esse outro era um trem húngaro, ou seja, foi projetado para planícies. Quando chegou, teve problemas para subir a Serra das Araras e acabou sendo cedido para o governo do Rio Grande do Sul”. Uma das raridades, em sua visão, é a reprodução de um FA1: “A única unidade que restou está se deteriorando no pátio da Leopoldina. Na época, esse trem foi apelidado de Birita por causa do cachorro do Botafogo (em 1948, um vira-lata preto e branco foi adotado e transformado em amuleto do time de futebol)”. As curiosidades vão além do exposto: “É importante mencionar que a Indústria Fratsechi é a única empresa a fabricar trens elétricos na América Latina”, cita, referindo-se à produtora das miniaturas.


A maior parte das miniaturas de sua maquete – com exceção de 10 unidades digitais, com chip interno – são analógicas e deslocam-se por conta das força dos trilhos, que receberam uma corrente de 12V, instalados na maquete. Em um dos cantos, um grande painel reproduz o mapa daquela ferrovia, possibilitando que Ricardo ligue e desligue cada seção conforme o interesse. Dessa forma, o criador controla as rotas e evita colisões. Apesar do conhecimento, ele descarta a ideia de reunir as informações em um livro. O material é transformado em vídeos, disponibilizados em seu canal do Youtube, “Maquete do Trem Oficial”. “Criei um personagem para aproximar o conteúdo das crianças, dos adolescentes e das mulheres, já que esse universo de trens é, majoritariamente, masculino”, conclui.


As visitas à maquete podem ser agendadas por meio do WhatsApp

(21) 97170-3583. Mais imagens podem ser conferidas no Youtube e no Instagram

 
 
 

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