Fábula que inspirou "A Noiva Cadáver" é encenada em Copacabana


(Foto: Mariana Quintão)

Uma noiva é assassinada a caminho do casamento simplesmente por ser judia. O crime, que era comum na Europa Inquisitória nos séculos passados, também foi cometido em cidades brasileiras onde a herança judaica está fortemente marcada, principalmente no nordeste. A história pouco difundida é contada na peça “Rhupá, A Fábula da Noiva Cadáver”, em cartaz até 7 de agosto na sala multiuso do SESC Copacabana. Os ingressos custam a partir de R$7,50.


Inspirada numa fábula judaica — a mesma que serviu de mote ao filme “A Noiva Cadáver” (2005), de Tim Burton —, a história ganhou versão de César Valentim no texto e na dramaturgia. “Esta é uma parte de nosso passado pouco conhecida. Mesmo em nosso país, houve uma violenta perseguição contra o povo judeu, que se via obrigado a encobrir determinados costumes e práticas. De certa forma, é um assunto contemporâneo. Impossível não fazer um paralelo com os grupos atualmente perseguidos no mundo e, por isso, exilados de suas próprias pátrias e culturas”, reflete o autor, que também está no elenco ao lado de Rita Grego e Eduardo Ibraim.

“Rhupá, a fábula da noiva cadáver” joga luz na trajetória dos marranos, judeus obrigados a se converter ao catolicismo, chamados "cristão novos". Muitos fugiram para o Brasil ou foram enviados de forma forçada no período colonial, ao mesmo tempo em que faz um paralelo com os atuais crimes de violência contra a mulher e os feminicídios. A história acompanha os dramas de uma mulher morta violentamente, vítima de um crime cometido momentos antes de seu casamento. Séculos depois um noivo à caminho de seu casamento faz toda a liturgia e casa-se "por acidente" com a cadáver, e desperta esta noiva cadáver de volta ao “mundo dos vivos”. A ambientação não tem uma localização de tempo ou local, mas faz referências aos costumes e tradições enraizados em nossa cultura, mas que tem herança tipicamente judaica, a montagem expõe – entre reflexões sobre a idealização do amor e eventuais desencontros amorosos – as tensões provocadas pelo empoderamento feminino. O centro de tudo é essa mulher, ela é a fortaleza, como uma árvore centenária.


Serviço: “Rhupá, a fábula da noiva cadáver” Local: Multiuso Sesc Copacabana Endereço: R. Domingos Ferreira, 160 – Copacabana, Rio de Janeiro - RJ Temporada: de 21 de julho a 7 de agosto (de quinta a domingo) - 4 sessões extras dias 30/07, 31/07, 06/08 e 07/08 - sábados e domingos, às 16h Roda de Conversa dia 23 de julho - após apresentação Horário: 18h Lotação: 36 lugares Classificação: 14 anos Duração: 60 minutos Valores: R$ 7,50 (associado do Sesc), R$ 15 (meia-entrada), R$ 30 (inteira)