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Escola de Dança Solar Meninos de Luz completa 20 anos transformando vidas


(Foto: Divulgação)

A Escola de Dança Solar Meninos de Luz, parceria entre a escola filantrópica homônima e o Studio ValorArte, completou 20 anos. Nessas duas décadas, incontáveis crianças e adolescentes selecionados em ambientes de insegurança social e econômica nas comunidades do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo tiveram contato com essa demonstração de arte, apresentando a eles novas possibilidades até profissionais para seus futuros.


“Já queria, com um amigo (Marcio Clare), um projeto para dar aula de dança. A ideia inicial era levar o pessoal do Chapéu-Mangueira e da Babilônia (no Leme) para o estúdio (na Rua Ministro Viveiros de Castro). Enquanto buscava algum contato para dar início a esse trabalho, outro amigo (Bernardo Jablonski) me apresentou à Andréa Maltarolli (uma das fundadoras do Solar, junto com sua mãe, Yolanda Maltarolli). Fui conhecer e no que entrei, assisti um vídeo de apresentação e fiquei emocionada com o trabalho, que começa com as mães grávidas e vai até os alunos chegarem na universidade”, conta a bailarina, atriz e coreógrafa Fabiana Valor, diretora técnica e artística do Studio ValorArte. “A Dona Yolanda queria levar dança para o Solar. A ideia dela casou com a minha e deu frutos”.


Inicialmente, Clare era o único financiador e posteriormente, Jablonski passou a apoiar também. Após a morte deste, o colaborador original manteve as ajudas até 2021, quando a escola conseguiu patrocínio da Klabin, Artplan e Pacífico Gestão de Recursos, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura e da Lei Municipal de Incentivo à Cultura (ISS RJ). Para Fabiana, o tempo passou tão rápido que até ela se surpreendeu ao constatar que a parceria já dura duas décadas “Ano passado fiz um espetáculo contando a história dos 40 anos do Solar e os 18 do trabalho do ValorArte nele, mas depois, vendo fotos, vi algumas da gente aqui em 2004”.


Hoje, são oferecidas aulas de balé clássico, jazz, hip hop e dança criativa. Este último estilo é oferecido para crianças do maternal e pré. “Elas trabalham com o pé no chão para ganhar consciência corporal”, explica a dançarina, mencionando que os ensinamentos são lúdicas e envolvem também contação de histórias. No ano passado, o projeto ganhou uma extensão, que abrange os alunos que já se formaram naquela escola, e em pouco tempo, o grupo já colecionou êxitos. “Ele já dançou em festivais, e ficou em primeiro lugar em um; em mostras coreográficas e em espetáculos do ValorArte até no Copacabana Palace”, celebra.


Ao longo do tempo, Fabiana alegra-se ao constatar que a companhia de dança acompanhou a vida escolar inteira de alguns estudantes que começaram ainda crianças. Seu maior orgulho é a formação do dançarino Nicholas do Amaral, aluno do Solar desde seus nove meses de idade. O jovem, que já fazia aula de dança de salão em um projeto social quando a parceria do ValorArte com a instituição de ensino começou, participou das aulas de balé, sapateado e hip hop, o que lhe fez enxergar a arte como possibilidade profissional. Adulto, se formou em dança de salão com Carlinhos de Jesus e atualmente ensina danças urbanas, como hip hop e dancehall, estilo jamaicano no qual virou referência no Rio. “Tenho 26 anos e posso dizer que com pouca idade, já conquistei muito com a dança e graças ao ValorArte, que deu o primeiro empurrão para eu buscar o sonho. Sou muito grato ao projeto e ao Solar”, disse o profissional em vídeo enviado como agradecimento a quem lhe guiou na infância e na adolescência.


Outros nomes também puderam construir carreira na dança após se formarem no Ensino Médio. “Quando os professores identificam alguém que tem futuro na área, me pedem uma bolsa no ValorArte”. Em 2023, o grupo de hip hop foi selecionado para o Festival de Joinville e nele, havia dois bolsistas, sendo uma oriunda do Solar, que não teriam como arcar com os custos da viagem, Os demais participantes fizeram uma vaquinha e levantaram o valor necessário, o que, na visão de Fabiana, proporcionou aos dois uma experiência inesquecível. “Eles nunca tinham entrado em um avião”. No hotel, a aluna da instituição de Copacabana dividiu quarto com a professora, que reparou na alegria da jovem. “Ela ficava dizendo ‘Fabi, estou me sentindo muito rica!’”.


Apesar de o ano letivo ainda estar no começo, Fabiana já planeja o espetáculo de fim de ano montado com os estudantes da casa. “Todo ano gosto de transmitir alguma mensagem. Após o fim da pandemia, falamos sobre recomeços. Na época da Copa, falamos sobre a cultura de outros países. O último foi questionando o que podemos fazer para ajudar os outros. Dessa vez, quero algo na linha ‘qual a luz que ilumina seu caminho?’. Não sei ainda se vai ser isso, mas vai ser nessa linha”, finaliza.


Sobre o Solar Meninos de Luz


A instituição nasceu a partir de um auxílio emergencial para levar assistência às famílias das comunidades Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, atingidas pelo desmoronamento de uma grande caixa d’água comunitária, na véspera do Natal de 1983. No dia seguinte, Yolanda Maltaroli foi até a comunidade levar mantimentos e roupas para os desabrigados e a partir disso, novas necessidades foram surgindo. A principal era com quem as famílias deixariam seus filhos para sair para trabalhar?


Assim nasceu o Solar, um complexo de educação integral continuada - do berçário ao Ensino Médio – que visa romper o ciclo de vulnerabilidade, no qual os alunos passam 10 horas diárias, recebem três refeições e podem participar de mais de 30 atividades no contraturno escolar, como as oficinas de dança; teatro; esportes (capoeira e judô); música (flauta, violino, violoncelo, coral, trompete, entre outros), incluindo uma orquestra formada por alunos e moradores das comunidades atendidas; robótica; artes plásticas; empreendedorismo, entre outras. . Com 4,5 mil m² de área construída, sua estrutura inclui um teatro para 400 pessoas, um complexo poliesportivo, uma biblioteca comunitária com 4 mil livros, uma galeria de artes com calendário anual de exposições gratuitas, um laboratório de ciências e muito mais, tudo isso mantido por 130 funcionários, 40 prestadores de serviço e 140 voluntários ativos.


Mais informações podem ser obtidas em www.meninosdeluz.org.br

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