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Curso prepara jovens para a pescaria em Copacabana


(Foto: Núcleo Canoas/Divulgação)

Desde o meio de janeiro, a Colônia de Pescadores Z13 tem realizado um curso de formação de jovens para a pesca, em parceria com o Núcleo Canoas. As aulas acontecem todos os sábados, das 9h às 12h, e atendem moradores das comunidades da região que são introduzidos à pesca artesanal como uma opção de profissão.


“Estamos nessa empreitada de qualificá-los para o trabalho”, cita o presidente da Z13, José Manoel Rebouças. Ele aponta que a recepção, por parte dos participantes, tem sido bastante otimista. “Eles têm todo o suporte para virem. Recebem vale transporte para o deslocamento, uniforme, vale-alimentação… Há ainda o lanche oferecido pelo Hotel Fairmont antes das aulas”. Rebouças é um dos coordenadores da ação, que conta com três professores. Juntos, o grupo ensina sobre a arte da pesca. “Eles aprendem a preparar o equipamento, a escolher redes, ver detalhes dos nós…”, enumera.


Em paralelo às lições, os alunos também assistirão palestras com instituições parceiras, como a Universidade Santa Úrsula, que falará sobre espécies exóticas; o Museu Nacional, que contribui com informações sobre pesquisas feitas na região; e a Capitania dos Portos, que ensinará sobre a segurança. A Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro, órgão ligado à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento também apoia a iniciativa, que abrange ainda temas como boas práticas de alimentação, valorização dos lucros e técnicas para embalar os pescados. “Os alunos irão ouvir sobre tudo que se refere à saúde dos pescadores, assim como do meio ambiente, para que possam entender que a arte da pesca não é só dentro d’água. Há muitos detalhes”.


“Trabalhamos com idade de 16 até 30, sempre com essa pegada de atingir o filho ou sobrinho de pescador ensinando novo ofício”, explica uma das diretora do Núcleo Canoas, Mirtha Dandara (além dela, a ação é dirigida também pela cientista social Lara Mattos e a bióloga Clarisse Duarte Rocha). Ela observa que a ideia é apresentar a pescaria como uma opção. “A gente dá essa alternativa de trabalho para eles se engajarem nessa causa não só da pesca, mas também de outros ofícios relacionados à atividade. Há aulas também de educação ambiental”, menciona, defendendo a importância do programa: “A evasão dos jovens e a desmotivação, por parte dos pescadores, é um problema. Muitos não querem dar continuidade à pesca artesanal com as gerações seguintes. Estão desanimados por questões como a poluição e o derramamento de esgoto”.



A primeira turma atende 20 participantes, mas Mirtha explica que a ideia é tentar viabilizar novas turmas. “O financiamento é de um ano. Estamos buscando aproximar parceiros para isso”. Ela explica que o busca por patrocínio teve início em setembro e que o apoio do Fundo Brasileiro para Biodiversidade permitiu o início do planejamento. “Tentamos escutar as demandas dos pescadores e construir projetos que façam sentido para eles. Não é só sobre valorizar o trabalho do pescador artesanal, mas também o bem viver das comunidades tradicionais como um todo, que possuem um respeito a natureza, tendo em vista ,que percebem a importância de suas matérias-primas. Desde a escola somos ensinados que existe a cidade e a natureza, separados. No entanto, hoje sabemos que um não vive sem o outro. É um aprendizado muito grande no que se refere a esse contexto de emergência climática que vivemos. É uma esperança que temos de poder pensar um viver diferente desse que nos distancia da natureza. Se a gente mudar essa percepção de mundo, conseguimos mudar essa realidade. A colônia se localiza como ponto de resistência a esse conglomerado de empreendimentos. Uma alternativa de bem viver. Essa identidade do pescador consciente com o meio ambiente é o que queremos valorizar”, conclui.


A realização do projeto "Formação de Jovens Para a Pesca" é uma medida compensatória estabelecida pelo Termo de Ajustamento de Conduta de responsabilidade da empresa Prio, conduzido pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro. O programa nasce com a ideia de trazer de volta a identidade do pescador artesanal atento à preservação do meio ambiente, fomentando a cadeia da pesca, por meio de novos trabalhadores conscientes no cuidado com a natureza.

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