Combate ao câncer infantil: saiba os principais sinais para ficar alerta


A cada três minutos uma criança morre de câncer no mundo, de acordo com a organização Childhood Cancer International, idealizadora do Dia Mundial de Combate ao Câncer Infantil, uma data de conscientização celebrada neste 15 de fevereiro. Um dos maiores alertas é o olhar atento de responsáveis ou de pessoas próximas do convívio da criança, além do acesso à informação, para conduzir a uma investigação por médicos e diagnóstico em fases iniciais, pois os sinais podem ser difíceis de serem relacionados a câncer ou podem indicar doenças raras e pouco faladas.

Foi o caso da filha do casal de jornalistas Tiago Leifert e Daiana Garbin, de menos de 2 anos de idade. O pai notou um movimento irregular nos olhos da pequena. Era um sinal de retinoblastoma, um câncer raro que corresponde a apenas 2% dos casos de tumores infantis e atinge a retina ou fundo do olho. Depois de decidirem falar abertamente sobre a descoberta e tratamento, alertaram diversas famílias a desconfiarem e relatarem para um médico, ainda que a criança pareça saudável e não manifeste outros sintomas, pois o diagnóstico precoce é fundamental.

E especialmente em casos como o desse tipo de câncer, que ocorre mais frequentemente em crianças muito novas, de até 4 anos, outro desafio parece demandar ainda mais cuidado: o tratamento. A rádio-oncologista Ana Verena Miranda, que trabalha na área pediátrica do Grupo Oncoclínicas no Rio, explica o cuidado para definir a terapia mais adequada para esse público: “A maior parte dos tumores que atingem o público infantil envolve terapia trimodal, ou seja, com cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Mas, principalmente para pacientes menores de 3 anos, o ideal é postergar a radioterapia, para não os expor, tendo em vista que o sistema neurológico está em desenvolvimento. Nesses casos, a quimioterapia e a cirurgia são as primeiras escolhas”, destaca a especialista.

A fim de tornar o tratamento mais lúdico, durante sessões de radioterapia, os pacientes assumem a face de seus super-heróis preferidos, que inspiram coragem, ao vestirem máscaras customizadas, usadas para imobilização e posicionamento. “Isso faz com que haja uma redução na taxa de sedação para os pacientes, pois eles se sentem mais seguros para realizar o tratamento”, afirma a médica.

Sinais mais comuns

Visitas ao pediatra são fundamentais para acompanhar a saúde das crianças. Vários dos sinais que podem indicar um câncer estão relacionados a doenças comuns na infância. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), os principais sinais de câncer infantojuvenil são: palidez, hematomas ou sangramento sem motivo aparente; dor óssea; caroços ou inchaços sem trauma; perda de peso inexplicada, febre; tosse persistente ou falta de ar; suores noturnos; alterações nos olhos; inchaço abdominal; dores de cabeça persistentes associadas a vômitos em especial pela manhã ou com piora ao longo dos dias; dor em braços ou pernas; fadiga, letargia ou mudanças no comportamento; tontura, perda de equilíbrio ou coordenação. Principais tipos de câncer e tratamento Em 2020, no mundo, conforme dados do GLOBOCAN, Cancer Today – IARC, foram diagnosticadas 279.419 crianças e adolescentes entre 0 e 19 anos. A ocorrência maior é de leucemias, seguidas de tumores no cérebro e sistema nervoso central e casos de Linfoma Não-Hodgkin.

Também há tipos raros de câncer que se manifestam apenas nos primeiríssimos anos de vida, além do retinoblastoma, como: neuroblastoma (tumor em células do sistema nervoso periférico, geralmente em lactentes, que costuma ter localização abdominal); Tumor de Wilms (que começa nos rins, em crianças de 3 a 4 anos); tumores ósseos, como o osteossarcoma em áreas onde o osso se encontra em crescimento, como pernas e braços, e o sarcoma de Ewing, que pode atingir ossos, músculo ou cartilagens; tumores germinativos (em células que originam ovários e testículos), e o Rabdomiossarcoma (inicia-se em células que normalmente se desenvolvem nos músculos que participam o movimento do corpo, e pode ocorrer na cabeça ou pescoço, virilha, abdome, pelve ou membros).

Entre os casos mais comuns com indicação de radioterapia estão os de tumores do sistema nervoso central, um tratamento que costuma durar em média 28 dias. Porém, outros tipos de tumor, como os hematológicos, também podem necessitar de complementação com radioterapia.

Ainda que os efeitos colaterais sejam diminuídos com técnicas de intensidade modulada, que evitam a distribuição de doses de radiação nos tecidos sadios, os profissionais envolvidos seguem os melhores caminhos em cada caso buscando a menor exposição a riscos.