"Copacabana 130 Anos": Casa de Operações e Convalescença da Copacabana e Enfermaria da Marinha


Na edição passada, os leitores foram apresentados ao Mère Louise, um dos estabelecimentos mais famosos do começo de Copacabana, e à Louise Chabas, sua proprietária. Apesar do êxito desse negócio, não foi o único que fez muito sucesso naquele momento em que o bairro começava a se desenvolver. Antes dele, a Casa de Operações e Convalescença da Copacabana foi inaugurada pelo médico Francisco Bento Alexandre de Figueiredo Magalhães em 1878. O espaço era destinado a tratamento de todas as doenças, menos as contagiosas.


Além de responsável pela casa,o médico também foi um dos primeiros a investir nas melhorias do acesso a Copacabana, aumentando a popularidade da área, que ainda não era integrada ao Rio de Janeiro. Para facilitar o acesso de suas gôndolas (que conduziam passageiros de Botafogo para lá), ele aprimorou toda a estrada saindo da Rua Real Grandeza. Mais tarde, foi um dos pioneiros a tentar construir uma linha de bonde para a área, mas por questões burocráticas, seu projeto não foi aceito, atrasando em 10 anos a chegada do transporte.


O espaço funcionou até 1890, quando os prédios foram alugados pelo Ministério da Marinha, que montou ali a Enfermaria de Copacabana para tratar os pacientes com beribéri, doença que, na época, acreditava-se ser contagiosa, uma vez que o número de mortos era crescente. Com o sucesso, o local, dirigido por Euclides da Rocha (que deu nome ao logradouro onde o espaço ficava, assim com o Dr. Figueiredo Magalhães foi homenageado em outra rua) foi transformado em um hospital e a propriedade permutada por parte dos terrenos do Hospital Nacional dos Alienados (hoje, campus da Praia Vermelha da UFRJ), garantindo a transferência ao Governo Federal. Em 1907, foi descrito como um complexo de seis edifícios, que ocupava uma área superior a 10 mil m², onde os pacientes podiam inclusive fumar. O hospital foi fechado em 1910, quando os pacientes foram transferidos para o Sanatório Naval de Nova Friburgo, já que o prédio de Copacabana era considerado quente e úmido, mas reativado no mesmo ano como Hospital Central da Marinha, recebendo os internados transferidos da unidade na Ilha das Cobras e que foi muito atingida na Revolta da Chibata. Nessa nova fase, em outubro de 1918, recebeu os primeiros casos de gripe espanhola registrados na Armada – em três dias, o número de militares da Marinha contaminados passou de 700.


Funcionou até meados do ano de 1940, então dedicado a pacientes de tuberculose, quando foi fechado por ordens do Governo por motivos de higiene – duas décadas antes, a precariedade do funcionamento já era motivo de denúncia e até barracões de madeira foram incorporados à estrutura com o passar dos anos, já que o número de atendimentos passou a ser cinco vezes maior após a gripe espanhola. Os pacientes foram transferidos para o recém-inaugurado Pavilhão Dr. Carlos Frederico, anexo do Instituto Naval de Biologia, embrião do Hospital Naval Marcílio Dias.


Ruínas existiam no endereço, situado no número 180 da Rua Euclides da Rocha,até o final da década de 1990, quando as obras do Favela Bairro as colocaram abaixo. É provável que o muro externo tenha resistido ao tempo, uma vez que o existente naquele ponto assemelha-se ao visto em fotos antigas e o pedaço sem concreto expõe se tratar de uma construção bastante antiga, o que faria dele o último vestígio daquele espaço tão importante na história do bairro.