Moradores ilustres de comunidades são homenageados


O Museu de Favela, destinado a preservar memórias do Pavão, Pavãozinho e Cantagalo, voltou a funcionar, agora em novo endereço. Com atividades interrompidas pela necessidade de desocupar o antigo endereço e, depois, pela pandemia de COVID-19, o grupo recentemente assinou a cessão para ocupar o CIEP Presidente João Goulart, o Brizolão, por dez anos. Para marcar a nova fase, as exposições “Velhos Ilustres”, realizada em 2009 com depoimentos dos residentes mais antigos das comunidades; e “Mulheres Guerreiras”, que destaca trajetórias de algumas moradores, estão em cartaz no espaço, que pode ser acessado pela Rua Alberto de Campos, 12, onde há um elevador que conduz diretamente ao endereço, que, apesar de maior que o anterior, ainda não recebeu a brinquedoteca. Para recomentá-la, a instituição levantou uma vaquinha e também pede doações de brinquedos até usados, desde que em boas condições.


“Velhos Ilustres” foi a primeira edição da exposição itinerante “Um Despertar de Almas e Sonhos”, que já passou por diversos municípios levando as memórias de 12 pessoas que, ao contarem sobre suas vidas, narraram também a história das comunidades compreendidas pelo Museu da Favela. Desde a primeira montagem, muitas morreram, mas suas palavras ficaram imortalizadas. “Os próprios familiares ficam satisfeitos com a lembrança. Há casos de netos e bisnetos que só têm a oportunidade de conhecer o avô pela exposição, já que antes, não tinha esse negócio de ficar tirando foto. É difícil a pessoa ter até foto dos antepassados”, conta uma das sócias-fundadores do museu, Antônia Soares. “Contando as histórias, muitos idosos se emocionavam e iam buscar uma imagem antiga, às vezes até em preto e branco, para nos mostrar”, complementa, lembrando que esses registros também foram incorporados ao banner.


Em outros, as histórias contadas são das “Mulheres Guerreiras”, que exalta moradoras tanto jovens quanto idosas das comunidades atendidas. O grupo mantém um núcleo exclusivo para fazer as entrevistas e a cada edição, 13 são selecionadas. “Elas falam sobre vidas, lutas, sacrifícios, vitórias... Umas são lindas! Outras, tristes, mas lindas também. A gente faz isso com o intuito de não só homenageá-las, mas também fazer com que histórias sejam conhecidas. Podem servir de incentivo para outras mulheres”, conta Antônia, complementada pela diretora Márcia Souza: “Elas nos contam suas vidas, a gente coloca nos banners e faz o tributo em um sarau ou no que der para fazer. Depende do dinheiro que temos no momento. É um evento fixo anual, sempre em setembro, na semana da Primavera de Museus, mas foi interrompido primeiro devido à falta de verbas e depois, pela pandemia”. Nesse período, todas as atividades foram paralisadas e os esforços do Museu de Favela foram destinados à parte social, arrecadando cestas básicas para doar aos vizinhos necessitados.


As duas mostras estão programadas para ocupar de forma permanente a nova sede do museu, podendo ser desmontada temporariamente para ser levada a outros endereços. O acesso se dá pela Rua Alberto de Campos, onde há um elevador (o mesmo que, na década de 1960, levava ao restaurante Berro D’Água e à boate Panorama Palace) que conduz direto ao Brizolão, novo endereço do museu, que ocupou desde a fundação uma capela. Quando a Mitra solicitou o espaço de volta, o grupo mudou-se para o novo prédio, ofertado pela Superintendência de Museus da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, mas a cessão saiu apenas em janeiro, acabando com a insegurança dos responsáveis pelo museu.


“O espaço estava muito deteriorado, apesar de grande”, comenta Antônia, explicando que o museu está ocupando um andar inteiro do prédio. Um pedaço está demarcado para receber a nova brinquedoteca, destinada ao público infantil das comunidades. Da anterior, criada a partir de um edital da Secretaria de Cultura, pouco será aproveitado, já que muitos itens desapareceram na mudança e uma quantidade ainda maior estragou após tanto tempo fechada em caixas. “Precisamos de brinquedos, materiais, livros… Temos alguns, mas mantemos também uma biblioteca itinerante pelo território, levando-os tanto para empréstimo quanto para as crianças lerem na hora”, pede Antônia, mencionando que o grupo precisa até de divisórias, que serão usadas para delimitar o espaço voltado às brincadeiras; tapetes, para os pequenos ficarem mais confortáveis enquanto se divertem; e cadeiras. As doações podem ser pegas em domicílio e podem ser de artigos usados, desde que em bom estado. Para combinar a entrega, basta falar com Antônia pelo telefone 97120-4802.


A sede da instituição funciona às segundas, quartas e quintas, das 9h às 13h. As visitas podem ser agendadas por meio do e-mail querovisitar@museudefavela.org. O grupo também oferece o Circuito de Casas-Tela, que durante três horas, passa por obras de arte pintadas nas construções que compõe as comunidades. Esse passeio ocorre às sextas, aos sábados, aos domingos e também às segundas, às 10h e às 14h. Mais informações podem ser obtidas pelo site www.museudefavela.org.