Coluna "Turismo": Itália (Vêneto)

(publicada na edição 399)

Parte 2

(Foto: Divulgação/Veneto.to)

Olá leitores da coluna Vamos com Guia Valle! A partir dessa edição, iremos conhecer uma região no nordeste da Itália: Vêneto, cuja capital é a famosa Veneza. Trata-se da área mais visitada do país e a sexta da Europa. Em seus 18km², possui inúmeros atrativos bastante interessantes para os brasileiros. Nesse roteiro, iremos explorar o cicloturismo e o turismo religioso e muito mais. Prontos para mais essa viagem?


Vêneto é composta de sete províncias: Belluno, Treviso, Veneza, Rovigo, Pádua, Vicenza e Verona. Entre 1785 e 1800, metade de sua população migrou para o Sul do Brasil. Hoje, milhões de brasileiros possuem descendência italiana devido a disso – e também por causa de outros movimentos migratórios. Dentre os atrativos, destacam-se a cidade de Veneza; a cadeia de montanhas Dolomitas, que é um patrimônio da Unesco; o Lago de Garda, o maior e mais importante da Itália; as praias, que são muito aproveitadas no verão europeu (que corresponde ao nosso inverno); as terams euganeas e os centros termais vênetos; o Rio Pô e seu delta; as cidades de arte, os centros históricos, as muralhas, os sistemas fortificados e as vilas.

(Foto: Divulgação/Veneto.to)

Para os apaixonados por ciclismo, Vêneto é o paraíso. A região possui mais de 1.200 km de ciclovias e oferece desde percursos rápidos, para quem não tem prática no esporte, até trajetos que demoram semanas para ser concluídos. Pode-se escolher entre três ofertas. A primeira opção é a prática do “snow mountain”, que oferece as opções mais interessantes. Ela é subdividida em quatro itinerários semanais: “Lago de Garda”, que sai da antiga cidade de Garda oferecendo uma visão global completa sobre as riquezas de história e tradição que caracterizam as províncias de Verona, Vicenza, Pádua e Veneza; “O Anel do Vêneto”, em torno às províncias de Veneza, Pádua, Vicenza e Treviso, passando pelas as cidades mais belas da região; “Caminho do Mar”, que passa por cenários com paisagens aquáticas; e “Das Dolomitas à Veneza”, que sai das montanhas ao Norte, perto dos Alpes, e segue o litoral, apresentando aos ciclistas diversos visuais.


Para quem não tem preparo físico para pedalar longas distâncias ou prefere um roteiro menos cansativo, é possível também, através do “snow mountain”, realizar sete excursões de curta duração. A primeira, pela ciclovia das Dolomitas, permite que as montanhas tão grandes e bonitas sejam conhecidas de perto. Pode-se também escolher o trajeto que passa pelo anel das Colinas Euganei, dentro de um parque com inúmeros atrativos, como os vinhedos onde são produzidos os vinhos Moscato fio d'arancio DOCG e a Abbazia di Praglia, um antigo monastério beneditino datado do século XI e considerado uma autêntica joia do Renascimento e importante centro espiritual beneditino. Outra alternativa é optar pelo caminho chamado Anel da Donzela, que começa em Porto Tolle e termina no mesmo ponto, onde a paisagem se funde com barragens mais altas que habitações e uma agradável brisa marinha. No caminho, pedala-se por uma cidadezinha de pescadores, onde há um grande mercado de peixe. Em companhia das gaivotas, das andorinhas e de outras aves, pode-se conhecer até os lugares onde eles criam mariscos.

(Foto: Divulgação/Veneto.to)

O trajeto conhecido como GiraSile também é uma boa opção para os turistas. Ele liga Treviso a Casale Sul Sile e, por ter início longe da zona urbana, oferece paisagens belíssimas, principalmente no trecho perto de Casier. Após algum tempo de pedalada, chega-se à enorme Igreja de San Martino. Outra opção são as ilhas de Veneza, que também proporcionam um excelente passeio. É necessário embarcar em uma balsa rumo a Ilha de Pellestrina. O percurso abrange oásis naturais, senhoras produzindo rendas, pescadores, uma antiga igreja do século XVIII, dunas revestidas por vegetação e vistas lindíssimos. Nesse trajeto, passa-se também pelo centro histórico de Malamocco, pelo monumental cemitério hebraico e pela também antiga Igreja de San Nicolò, datada do século XII.


Os amantes de história não podem perder o percurso do Rio Mincio. Ele inicia-se em Peschiera del Garda, cidade murada que foi anteriormente uma fortaleza romana e que é citada por Dante Alighieri em A Divina Comédia e que também foi usada pelas tropas de Napoleão Bonaparte. Nele, os ciclistas passam pelo Castelo de Roccascaligera, que é um dos mais completos e mais bem conservados da Itália (e contornado por um mar com tom de azul impressionante, o que faz ele ficar ainda mais bonito). Em seguida, conhecem outro castelo: o de Monzabano, com sua suntuosa murada. Depois dele, é a vez de visitar outra cidade antiga: a turística Valeggio sul Mincio, que ainda conserva sua fortificação medieval. De lá, pode-se optar por pedalar ou pelos jardins florindos do Parco Sigurtà ou pelas casas da bucólica Borghetto, onde há antigos moinhas e uma bela ponte. Todo o caminho é percorrido por uma ciclovia plana e asfaltada. O último caminho sugerido, mas não menos interessante que os demais, chama-se Paisagens de Palladio e começa visitando alguns dos prédios projetados pelo arquiteto Andrea Palladio (1508 – 1580). Eles compõe o caminho para o interior bucólico de Berica, com uma fascinante paisagem rural.

(Foto: Divulgação/Veneto.to)

Cansados? Na próxima edição, iremos explorar o turismo religioso! Até lá!


Dicas:

• No caminho conhecido como GiraSile, não deixe de passar pelos campos de hortaliças para saboreá-las.

• Pode-se ainda optar por passeios diferentes dos sugeridos, como os que passam pelos vinhetos onde se produzem o vinho Prosecco DOCG ou os que conectam as belíssimas praias às florestas de pinheiros. Mais informações sobre os trajetos podem ser obtidos em www.veneto.to – há a opção de alterar o idioma para o português.

• Como o ciclismo é muito explorado em Vêneto, há inúmeras estações para alugar bicicletas e equipamentos na região. Além disso, é possível contratar um transfer para levar as bagagens do ponto de partida ao de chegada no caso dos percursos de longa duração.

• Apesar do calor em Vêneto não ser tão intenso como no Rio de Janeiro, o uso de protetor solar é essencial. Da mesma forma, aconselha-se levar água e algo para comer durante os passeios, que podem demorar muitas horas dependendo do ritmo do ciclista.

• Quem prefere caminhos com grau de dificuldade avançada pode se aventurar na prática da “mountain bike”.