Coluna "Turismo": Aracaju, Piranhas, Laranjeiras, São Cristóvão e Mangue Seco

(publicada na edição 492)


Com a alta do dólar, muitos brasileiros estão considerando conhecer destinos nacionais em suas férias, mas o preço dos passeios torna-se um empecilho para muitos deles. O que muita gente não sabe é que é possível passar uns dias no Nordeste com gastos relativamente baixos. A cidade de Aracaju é uma dessas opções, pois além de esbanjar beleza em seus atrativos naturais, proporciona idas a outros destinos.


Muitos dos visitantes optam por tirar um dia para conhecer os Cânions do Xingó, no interior do estado e um dos principais atrativos sergipanos. A distância é longa: o percurso demora mais de três horas por trecho. Por isso, para ficar menos cansativo, há quem opte por pernoitar pela região, que oferece muitos atrativos além do Rio São Francisco. Para chegar até lá, deve-se seguir de ônibus até Canindé de São Francisco. De lá, há a opção de seguir de van por cerca de 10km até a cidadezinha de Piranhas, já no Alagoas, que concentra melhor estrutura turística e atrai visitantes desde o século XIX – nem D. Pedro II resistiu ao charme desse lugarejo. O local é tombado pelo Iphan e recebe incentivo municipal para se manter belo: a cada dois anos, a própria Prefeitura pinta os antigos imóveis, garantindo que tudo esteja impecável para os visitantes.

Cânion do Xingó (Foto: Cleferson Comarela/Wikipedia)
Cânion do Xingó (Foto: Washington Moraes/Wikipedia)

Além de bonita, Piranhas é também histórica: há exatos 80 anos, foi dali que saíram os policiais que derrotaram a tropa de Lampião, cuja última cidade percorrida foi exatamente aquela. Após as mortes, as cabeças foram exibidas no lugarejo mesmo antes de serem expostas em outros municípios, o que rendeu a imagem tão famosa. A destruição do grupo aconteceu na Grota dos Angicos, que até os dias atuais recebe muitos visitante através da chamada Rota do Cangaço. O passeio começa em um catamarã no Rio São Francisco e após alguns quilômetros, chega-se ao distrito de Entremontes, de onde parte a trilha de menos de 700m, mas que demora entre uma hora e uma hora e meia a ser percorrida devido às explicações dos guias. Nesse tempo, os visitantes conhecem a história do cangaço e a vegetação da caatinga que ali predomina. De volta ao Centro Histórico de Piranhas, pode-se contemplar o passeio visitando o Museu do Cangaço.


No dia seguinte, sugere-se fazer o passeio dos Cânions do Xingó antes de retornar a Aracaju. A maior parte dos barcos sai de Canindé de São Francisco, a 15 minutos do centro histórico de Piranhas. Estre atrativo só passou a existir após a construção da Usina Hidrelétrica do Xingó, que inundou a fenda entre as montanhas. Durante cerca de uma hora, pode-se contemplar a bela paisagem antes de chegar ao local onde o banho é permitido. As águas verdes são bastante convidativas e não há quem resista a elas. Há ainda a possibilidade de reservar um lugar nessa embarcação menor para percorrer os corredores mais estreitos.


De volta a Aracaju, uma boa ideia é conhecer a própria cidade através de seus museus e seu centro histórico. A capital do Sergipe foi planejada no meio do século XIX para exercer essa função administrativa. A parte turística fica em Atalaia, onde o lazer se concentra. Ali há bons restaurantes, o Oceanário do Projeto Tamar (com 70 espécies típicas da região), a praia (bastante rasa e ideal para quem não sabe nadar ou viaja com crianças, já que não costuma ter ondas fortes)… Há quem aponte esse litoral como o mais bonito do Brasil. Entretanto, não é ali que o Centro fica: deve-se percorrer cerca de 20 minutos de carro até chegar nele, bem no litoral do Rio Sergipe. Chegando lá, é imperdível visitar os mercados municipais (são três deles), com produtos típicos como doces de propriá, queijo de Nossa Senhora da Glória, artigos de barro artesanais… Perto de lá, há outros atrativos como o Centro Cultural de Aracaju, o Palácio-Museu Olímpio Campos, a catedral, o Museu da Gente Sergipana, entre outros espaços. Outra forma de conhecer Aracaju é através do passeio de “to-to-tó”, um barco bastante popular que percorre tanto o Rio Sergipe quanto o Poxim.

Arcos de Atalaia (Foto: Tito Garcez/Wikipedia)

Também partem de Aracaju os passeios para conhecer a foz do Rio São Francisco. Para conhecê-la, o mais indicado é ir até o município de Brejo Grande (outra cidade-base é Piaçabu, mas esta é mais acessível para quem sai do Alagoas). As opções são diversas: lanchas, bugues, catamarã, com ou sem visita ao Farol da Foz… Os funcionários das agências costumam explicar os prós e os contras de cada escolha, então escute-os e analise qual melhor se adequa ao seu bolso ou estilo de viagem.

Passeio à Foz do Rio São Francisco (Foto: Farol da Foz Ecoturismo/Wikipedia)

Outro lugar perto de Aracaju que tem atraído muitos visitantes é o Parque dos Falcões, um centro de preservação dessas aves. Para conhecê-lo, é necessário agendamento prévio. Trata-se do único lugar no país com autorização do Ibama para criação desses animais em cativeiros – por sua vez, é para lá que o órgão encaminha aves maltratadas, machucadas ou mutiladas, incapazes de viverem na natureza. Além de conhecer o trabalho desempenhado no local, os visitantes têm a oportunidade de interagir com os pássaros em meio à paisagem estonteante do espaço.


Perto de lá fica Laranjeiras, outra cidade histórica com seus casarões antigos preservados. No passado, já foi a mais importante cidade sergipana. Dentre o que pode ser visitado, há igrejas do século XVIII, ruas estreitas e mantidas como no passado e diversos museus. Dependendo da época do ano, o folclore local faz daquele lugar único: diversas festas populares acontecem ali. Uma das mais famosas é a Lambe-Sujo x Caboclinhos, que reconta a luta pela liberdade dos escravos sempre no segundo domingo de outubro. Há ainda o Cacumbi, uma variação de festas como o congado e o reisado; o Taieira, que louva Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, o padroeiro dos negros; entre outros. Muitos turistas optam por conhecer também São Cristóvão, a meia hora de lá. Esta é a quarta cidade mais antiga do Brasil e mantém muitas das construções do passado.


Aracaju ainda serve como base para quem deseja visitar Mangue Seco, na Bahia. A aldeia tornou-se conhecida por ter sido o cenário de Tieta – o romance de Jorge Amado foi escrito durante uma passagem do escritor pelo local, que se inspirou nas belas paisagens para seu texto. Menos de 300 pessoas vivem no local, o que faz as praias ficarem quase desertas. Há também passeios de bugue pelas enormes dunas e de barco.

Mangue Seco (Foto: Glauco Umbelino/Wikipedia)

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