Após 27 anos fechado, Teatro Copacabana Palace volta à cena cultural carioca


(Foto: Divulgação)

O Teatro Copacabana, fechado há 27 anos, volta a ser aberto em novembro, agora com o nome do hotel onde está situado, após grande reforma. O espaço, apontado como um dos grandes palcos do Brasil, será reinaugurado com o espetáculo “Copacabana Palace – O Musical”, que recria momentos importantes da história do local e apresenta ao público alguns dos personagens emblemáticos que já passaram por lá.

A revitalização teve início em 2018 e após a conclusão das obras, a capacidade foi reduzida para 332 lugares, sendo 238 na plateia, 70 no balcão e 18 assentos distribuídos entre quatro frisas e seis camarotes. Foram instaladas poltronas para pessoas obesas e com mobilidade reduzida. Além disso, espaços destinados a cadeirantes foram inseridos no projeto, que levou a acessibilidade em conta. Até o acesso aos palcos e aos camarins pode ser feito por elevador, permitindo que todos os artistas se apresentem ali. No que diz respeito à parte estética, o arquiteto Ivan Rezende manteve o estilo clássico que acompanha o resto do hotel, aliando o visual tradicional à modernidade que 2021 permite a espaços como este. A obra contou com apoio do IRPH, do Inepac e do Iphan.


“Copacabana Palace – O Musical” deve ser apresentado ao público apenas em dezembro. Idealizado e dirigido por Gustavo Wabner e Sergio Módena, é assinado pelas autoras e produtoras Ana Velloso e Vera Novello e tem produção executiva e artística da Sábios Projetos, que, em sua página, informa nomes como Vanessa Gerbelli, Suely Franco e Claudio Lins no elenco, que conta com um total de 15 pessoas entre atores, bailarinos e dançarinos. Até o fechamento dessa edição, informações sobre os ingressos não foram divulgadas, mas sabe-se que o espetáculo irá contar toda a história do hotel, projetado para receber os turistas que viriam ao Brasil conferir a Exposição Comemorativa do Centenário da Independência, em 1922, mas que foi inaugurado apenas no ano seguinte.


Foi ainda nessa época que o estabelecimento abriu as portas de seu primeiro teatro, entretenimento que sempre acompanhou sua trajetória. O Copacabana Cassino-Theatro (também chamado de Theatro Copacabana Cassino) funcionou desde 1923 administrado pela empresa Pinfildi e já ocupava o local atual, no segundo pavimento do hotel. O acesso era igual ao atual, pela mesma escadaria de mármore que tem início na entrada da Av. N. Sª de Copacabana. Vizinho às suas portas, ficavam o grill room e os dois corredores, um verde e um azul, que conduziam o público para a sala de jogos, mas quem desejava assistir espetáculos encontrava números variados ao vivo e também filmes, geralmente norte-americanos, exibidos em uma tela daquele endereço, que foi um dos primeiros cinemas do bairro.


Funcionou por pouco tempo e após alguns anos fechados, foi reaberto em 1933, sem as projeções, mas recebendo companhias nacionais e internacionais até 1946, quando foi “engolido” pelo palco de uma boite no interior do hotel e transformado em depósito de bebidas. A Sociedade Brasileira de Autores Teatrais chegou a tentar interceder, na Prefeitura, pedindo a reabertura da sala, mas a reivindicação foi negada, uma vez que o espaço havia sido modificado e tido suas atividades transformadas. Apenas o ator Paschoal Carlo Magno conseguiu convencer o proprietário do hotel, Octávio Guinle, em retomar a sala de espetáculos, que foi inteiramente reformada para a nova fase.


Nascia, então, o famoso Teatro Copacabana, em 1949, data atribuída por muitos como a de abertura da primeira sala de espetáculos no hotel. A montagem inaugural foi de “A Mulher do Próximo” de Abílio Pereira de Almeida (ainda que existam menções a uma avant première com “Otelo”, encenado pela companhia Teatro do Estudante), e desde então, incontáveis peças de sucesso foram levadas àquele palco. Passados quatro anos, a explosão de uma lâmpada na boca de cena atingiu a cortina, o que deu início a um grande incêndio. O espaço inteiro, assim como o grill room, foi completamente destruído pelo fogo, apagado após 1 hora e meia com água da piscina devido aos problemas de abastecimento que atingiam o Rio naquele momento. A tragédia, entretanto, não pôs fim ao funcionamento da sala, reinaugurada em 1954 com “Diálogos de Carmelita”, cuja sessão foi em benefício do Patronato da Gávea e sucedida pelo show do cantor internacional Lucho Gatica, no Golden Room. O sucesso perdurou até 1994, quando as cortinas se fecharam pela última vez após Vera Fisher, Guilherme Fontes e Juca de Oliveira apresentarem “Desejo”, de Eugene O’Neill.


Nesses 44 anos de funcionamento, o Teatro Copacabana, que nessa nova fase recebe o mesmo nome do hotel onde funciona, recebeu em seu palco nomes como Fernanda Montenegro (que fez sua estreia ali), Paulo Autran, Tônia Carrero, Renata Sorrah, Marieta Severo, Cacilda Becker, Cleyde Yáconis, Henriette Morineau, Procópio Ferreira, Susana Vieira, Bibi Ferreira, Marília Pêra, Jorge Dória, Vera Holtz e outros grandes artistas, além das mais renomadas companhias teatrais. “Após um trabalho excepcional de toda a equipe envolvida na reforma do Teatro Copacabana Palace, estamos muito felizes em anunciar a reabertura deste que é um verdadeiro patrimônio cultural da cidade. Será um presente para as próximas gerações e esperamos ansiosos para compartilhar momentos inesquecíveis com o público”, comemora o gerente geral do Copacabana Palace, Ulisses Marreiros.


A inauguração será feita conforme os protocolos de prevenção e combate ao COVID-19 vigentes na data.