Empresa realiza delivery gratuito de livros


(Foto: Divulgação)

Devido ao sucesso em 2020, o projeto “Livros na Praça” retomou o sistema de empréstimo através de delivery, criado para atender ao público durante a pandemia. Para solicitar um título, basta entrar em contato, escolher dentre os disponíveis e ele é entregue na residência do interessado. Após a leitura, devolve gratuitamente por meio dos Correios, sem sequer precisar sair de casa, dependendo da localidade.


“A gente tem o projeto do ônibus-biblioteca há oito anos, mas com o lockdown, paramos. Reparamos que em tempos de isolamento, as pessoas leem livros, mas em comunidades carentes, o máximo que o morador vai ter acesso é à TV aberta. Livro é algo impossível. Notamos que o que estava acontecendo no mundo era o crescimento do delivery”, diz a idealizadora, Cristina Figueiredo, que aponta o sucesso da ação:


“No ano passado, a gente lutou muito para os ônibus voltarem às praças. Recebemos uma autorização especial da Secretaria Municipal de Cultura e colocamos as prateleiras todas do lado de fora. Voltamos em agosto, mas paramos em novembro. Nesses quatro meses, os empréstimos gratuitos aumentaram 40%. Se somar ao delivery, 78%. Nessa modalidade, aproximadamente 1,7 mil livros por meses foram pegos. Apesar de os ônibus terem voltado a funcionar depois disso, houve uma demanda muito forte no Facebook e no Whatsapp pedindo a volta da entrega”.


Após o contato solicitando o livro, a devolução ocorre por meio da logística reversa dos Correios. O leitor entra em contato com os organizadores da ação, que emitem um código de postagem. Nas localidades atendidas por carteiros, os profissionais fazem o recolhimento na própria residência de cada um; quando isso não ocorre, basta se dirigir a uma agência, informar o código e enviar sem pagar nada mais – ou, caso prefira, entregar no escritório que administra a biblioteca móvel, no Centro.


Cristina, que foi diretora da Biblioteca Nacional por cinco anos, lembra que já naquela época sonhava com essa iniciativa. “No Brasil, as bibliotecas públicas municipais perdem, em média, entre 21 a 23% de títulos por ano. A nossa é entre 8,1 e 8,3%. Por que um índice tão baixo? Porque somos o único acesso de muitas dessas pessoas à leitura. Os moradores das comunidades chegam aos ônibus, fazem a carteirinha, pegam os livros e devolvem. A cada semestre, atendemos dez localidades presencialmente. Numa semana, o ônibus visita cinco; na seguinte, outras cinco; na terceira, volta às primeiras. Fazemos um mapeamento de escolas públicas, associação de moradores, lar de idosos e onde mais pudermos divulgar e distribuímos panfletos. As pessoas não precisam exatamente devolver em duas semanas, podem fazer no fim do semestre. Com isso, a perda é muito baixa”, comemora. De acordo com a página do Facebook do Livro nas Praças, a Praça Almirante Júlio de Noronha, no Leme, está participando da temporada atual. As datas podem ser conferidas na rede social.


Atualmente, 50% do acervo é composto por títulos infanto-juvenil; 30% por literatura adulta e 20% por livros infantis, muitos apenas com figuras, atendendo também o público que ainda não foi alfabetizado. Em cada unidade, há ainda uma prateleira de livros acessíveis, em braile, e também outros com ilustrações em relevo, destinados a crianças cegas. Além disso, há a preocupação em manter um catálogo composto por 70% de escritores nacionais, ainda que, atualmente, essa estatística esteja em 60% devido às doações recebidas. Apesar das portas abertas para esse tipo de arrecadação, Cristina esclarece que não são aceitas enciclopédias nem livros didáticos. Da mesma maneira, materiais em capa dura também são recusados, já que, em grandes quantidades, afetam o peso dos ônibus. As rejeições também englobam os que estão em mau estado, rasgados ou escritos.


Para conferir os livros disponíveis e solicitar o empréstimo, é necessário entrar em contato através do telefone 99419-8869, que também é Whatsapp, ou acessar a página www.facebook.com/LivrosNasPracas