Cine Alvorada (1949 - 1969)

O Cine Alvorada foi inaugurado com a proposta de exibir, em primeira mão, produções europeias. Situado no número 17 da Rua Raul Pompeia, estreou com “Escravas do Amor”, exibido anteriormente apenas na Cinelândia. Antes, entretanto, houve uma sessão inaugural apenas para jornalistas com “Estranha Coincidência”, com Louis Jouvert e Suzy Delair, e “Primavera em Paris”.


A sala, na altura da Rua Francisco Otaviano, atraía também frequentadores de Ipanema e do Leblon e era bastante confortável, com poltronas reclináveis. O luxo esteve presente desde a inauguração, em 3 de setembro de 1949, quando uma estratégia inusitada foi adotada para atrair público. As mulheres que estiveram em algumas das primeiras sessões ganharam um cupom numerado, através do qual foi sorteada uma joia oferecida pela empresa Emílio Schupp & Cia. O sorteio foi realizada através da Loteria Federal. Atraindo o interesse de quem passava pela porta, a peça foi exposta em uma vitrine. Todos que caminhavam por ali a viam!


O primeiro aniversário do espaço foi comemorado com a exibição de “O Ladrão de Bagdá”, baseado numa história do livro “As Mil e Uma Noites”. Apesar do sucesso, logo o cinema passou a realizar as sessões chamadas “Sessões de Arte”, com filmes fora do circuito tradicional. Mesmo após a reforma que modificou toda a sala, dez anos após a inauguração, elas foram mantidas, tamanha a aceitação. Um dos programas de maior êxito foi o dos “Cine Ballés”, em virtude do IV Festival Mundial de Filmes de Dança, com apresentações russas.


Com o passar do tempo, o Cine Alvorada perdeu o esplendor de seu período áureo. Na década de 1960, o luxo e conforto do passado eram história. As reclamações sobre o espaço empoeirado, quente e sem conforto, apesar do valor do ingresso ser semelhante aos das demais salas do bairro, eram constantes. Em 1969, a última sessão foi exibida sem alarde e a construção deu lugar a um edifício residencial.