Start up brasileira transforma o desperdício em alimentos para quem precisa



A startup Connecting Food já facilitou a distribuição de mais de duas mil toneladas de alimentos, beneficiando mais de 250 organizações sem fins lucrativos e complementando mais de três milhões de refeições com porções de frutas, legumes e verduras. Isso porque a Connecting Food está apenas começando.

A empresa nasceu como um negócio de impacto social e trabalha na gestão inteligente da doação de alimentos excedentes, viabilizando a conexão entre varejistas, distribuidores e organizações da sociedade civil que prestam assistência a pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Em agosto de 2020, durante a pandemia, o projeto foi selecionado para o Programa de Aceleração Social Impactô – Especial COVID-19, uma iniciativa do Instituto Neoenergia em parceria com o Instituto Ekloos. O edital, aberto no início da crise sanitária do coronavírus, selecionou 16 organizações do Rio de Janeiro e São Paulo, entre ONGs e negócios de impacto, que atuassem diretamente nas comunidades, minimizando os efeitos da pandemia, para se desenvolverem, aperfeiçoando seus processos de gestão, e para ampliar o seu impacto social.

“Em meio a pandemia, a fome voltou para a mesa dos brasileiros, com o aumento da desigualdade e desemprego. Ter um negócio social com a proposta de diminuir o desperdício de alimentos como participante do programa foi extremamente necessário, podendo contribuir diretamente com uma solução para minimizar essa mazela social”, diz Renata Chagas, Diretora-Presidente do Instituto Neoenergia.

Após participar do programa de aceleração, a Connecting Food começou a colher seus resultados. Atuando desde 2017 em São Paulo com clientes como o Grupo Pão de Açúcar, a Connecting Food está expandindo sua atuação, criando novas frentes no interior de São Paulo e no Rio de Janeiro. No último ano cresceu em mais de 100% a gestão de pontos de captação de alimentos.

A temática do desperdício vem ganhando importância nos debates mundiais e atualmente, com a crise gerada pela Covid-19 e seus desdobramentos sociais, deve se intensificar nos próximos anos. “As proporções do desperdício de alimentos em todo o planeta são imensas. Igualmente imenso é o número de pessoas com algum grau de insegurança alimentar, isto é, que não fazem o número mínimo de refeições necessárias para viver”, afirma Alcione Silva, fundadora da startup, com formação em engenharia de alimentos, mestrado em sustentabilidade e especialização em perdas e desperdícios.

A fome, no entanto, não é exatamente um problema de escassez. É também uma questão de logística e gestão. O mundo produz comida suficiente para alimentar a todos, mas ainda nem todos têm acesso a alimentos saudáveis. Dados da FAO/ONU mostram que um terço dos alimentos produzidos no mundo são desperdiçados e que, aproximadamente, 30% das terras agrícolas do planeta são usadas para cultivar alimentos que nunca serão consumidos. Na outra ponta, temos só no Brasil, mais de 52 milhões de pessoas que não se alimentam adequadamente e a previsão, de acordo com a FAO, é que esse número chegue a mais de 20 milhões se não houver uma mudança sistêmica nas cadeias produtivas.

“A expansão da Connecting Food é essencial para minimizar o impacto da fome, especialmente causado pelo momento de pandemia que o país está passando. É uma grande oportunidade de reduzir o desperdício conectando a rede varejista com as pessoas que serão beneficiadas”, diz Andréa Gomides, fundadora do Instituto Ekloos.

Como funciona? A Connecting Food utiliza diversas tecnologias para promover o acesso de alimentos já produzidos e aptos ao consumo, porém sem valor comercial, às populações vulneráveis. As redes varejistas contratam a Connecting Food que faz a seleção e conexão de ONGs próximas das lojas que receberão os alimentos. Todo o processo é monitorado e indicadores são gerados para uma melhor gestão de estoques e dos impactos sociais, econômicos e ambientais. O valor social e ambiental já está claro, contribuir para a segurança alimentar e reduzir o impacto do descarte em aterros, mas além disso as redes varejistas conseguem reduzir o custo do descarte, ter benefícios fiscais e mostrar para a sociedade que comida boa não se joga fora.

Com inovação e inteligência de dados, a Connecting Food, com base na filosofia das empresas regenerativas, pretende provocar uma mudança de comportamento na sociedade e destinar alimentos para seu o propósito primário, que é nutrir pessoas.