Coluna "Turismo": Uruguai

(publicada na edição 442)

O Uruguai é um destino que cada vez atrai mais brasileiros pelo baixo custo da viagem e pelas atrações que o local reserva. Com estações do ano bem definidas, porém, com clima ameno durante o ano inteiro, há muito o que se visitar. Chegando de avião pela capital, Montevidéu, ou saindo de Buenos Aires, na Argentina, e cruzando o Rio da Prata para chegar à Colônia do Sacramento, são diversas as formas pelas quais as pessoas podem chegar ao país para aproveitá-lo.

O roteiro escolhido começa por esse segundo caminho. Colônia do Sacramento, um dos Patrimônios Culturais da Humanidade, fica a 1 hora da capital argentina. A cidade foi fundada em 1680 pelo português Manoel Lobo e, durante mais de um século, foi disputada também pelo domínio espanhol, o que resulta em uma mistura diversos estilos arquitetônicos em suas ruas de pedras, que resistiram ao tempo no centro histórico. Por esse motivo, uma simples caminhada já se torna um passeio imperdível, já que as construções centenárias adornadas com flores de todas as cores fazem os visitantes se sentirem em um conto de fadas – à noite, a iluminação feita por tochas completa essa ideia.

Para quem quiser conhecer o local por conta própria, há um centro de informações turísticas perto do Portão do Campo, um dos cartões-postais da cidade e também uma ponte levadiça. Há também a opção de tours guiados, que são pagos e acontecem diariamente. Outra maneira de conhecer Colônia do Sacramento é visitando seus museus – são diversos e há um ticket que dá acesso a todos; no entanto, é importante conferir os dias de funcionamento de cada um. O Centro Cultural Bastión del Carmen, instalado em um edifício histórico e com exposições gratuitas, não pode ficar de fora do roteiro. Após andar tudo, uma boa ideia é subir no antigo farol, de 1845, e ver a vista da cidade do alto. A paisagem é tão incrível que faz a passagem pelos incontáveis degraus valerem a pena.

Após conferir a parte histórica, é hora de visitar a orla do Rio da Prata. Com cerca de 5km de extensão, ela pode ser aproveitada a pé, de bicicleta, de moto ou em um dos carrinhos que também podem ser alugados. É um lugar onde muitos dos turistas gostam de ir para apreciar o pôr do sol. Há também algumas opções de praias fluviais imperdíveis. Outro passeio pode ser feito pelas vinícolas da cidade, que são abertas para visitação gratuitamente.

Depois de desbravar Colônia do Sacramento, é hora de seguir rumo a Montevidéu. A viagem dura cerca de duas horas de ônibus. Assim como a cidade anterior, a capital uruguaia possui um centro histórico, que concentra as atrações culturais, e uma orla, que reúne a vida noturna e gastronômica da região. Começando pela Cidade Velha, pode-se pegar um ônibus turístico em estilo hop on hop off com nove paradas (percorridas em pouco mais de duas horas). Não deixe de fazer a visita guiada ao Teatro Solis, de 1856, belíssimo devido sua arquitetura com fachada neoclássica e interior imponente; ou de conhecer alguns dos museus como o Torres Garcia, destinado ao maior artista do país; o do Carnaval, celebrando a festa; ou o Andes 1972, em homenagem às vítimas de um acidente aéreo no caminho para o Chile. Os amantes de carne não podem deixar de almoçar no Mercado del Puerto, onde o tradicional churrasco uruguaio pode ser conferido após ser preparado na hora e na frente de todos, aumentando a água na boca. Aos domingos, a Feria Tristán Navaja, que reúne todo tipo de artigos, é uma boa pedida. Frutas, antiguidades e até animais de estimação são encontrados por lá.

Mercado del Puerto, em Montevidéu (Foto: Chinito/Wikipedia)

No litoral, há também muito o que conhecer. O Parque Rodó é uma das principais áreas de lazer, com 85 hectares e diversas atrações desde um parque de diversões até um conjunto de bares e restaurantes, além de muita área verde, um pequeno lago e mesmo um campo de golfe. Outra ideia é passear pelas ramblas, as avenidas litorâneas que são nomeadas de acordo com cada bairro margeando o Rio da Prata (convidativo para o banho nos dias mais quentes). A de Pocitos é uma das favoritas dos turistas e que, para os cariocas, pode passar a impressão de ser parecida com a orla de Copacabana. Assim como na orla de Colônia do Sacramento, o pôr do sol visto de lá também merece ser apreciado.

Parque Rodó, em Montevidéu (Foto: Felipe Restrepo Acosta/Wikipedia)

Após conhecer Montevidéu, é hora de ir para o último destino: Punta Del Este. A distância entre as duas cidades é de aproximadamente 120km. O auge do turismo lá é no verão, quando as praias são bastante procuradas pelos turistas e as festas vão do entardecer até altas horas da madrugada. Os cassinos também são atrativos para os brasileiros (apesar dos preços dos jogos serem mais baixos fora da temporada). Dentre os cartões postais, não deixe de visitar a escultura da mão enterrada na areia, fotografada por viajantes de todo o mundo.

Casapueblo (Foto: Talkingheads/Wikipedia)

Se preferir algum programa cultural, uma ida à Casapueblo, a 16km do centro de Punta Del Este, é essencial, uma enorme casa que, em uma primeira vista, remete às construções da Ilha de Santorini, na Grécia, mas que na verdade, foi esculpida a mão durante 36 anos pelo artista plástico Carlos Paez Vilaró, que morava no local até sua morte, em 2014, e que se inspirou nas casas dos joões-de-barro para levar seu projeto adiante. Em seu interior, funciona um hotel, mas pode-se visitar o Museu Vilaró e as galerias de arte que funcionam ali pagando apenas o valor da entrada (que pode ser descontado no restaurante). Assim como nas outras cidades, a visão do pôr do sol também é muito apreciada na Casapueblo e, diariamente, acompanhando o espetáculo natural, uma gravação é executada onde Vilaró sauda o sol e agradece por mais um dia.


Após visitar as três cidades, chega ao fim o roteiro pelo Uruguai. Apesar do país oferecer muitos outros destinos, esses três lugares são os que mais atraem turistas e, especialmente, brasileiros. Em cinco dias, pode-se conhecer os principais endereços, fazendo o local ser muito procurado principalmente nos feriados prolongados.