Coluna "Turismo": Marrocos (Marrakesh)

(publicada na edição 485)


Já pensou em visitar Marrakesh? Essa cidade, uma das mais famosas do Marrocos, reúne atrações que encantam os turistas. Repleta de construções de estilos variados que suscitam o ideal do mundo árabe idealizado por quem vive no Ocidente, poucos dias nela funcionam como uma aula de história com conteúdo ignorado pelas escolas.


A parte antiga da cidade, chamada Medina, é o local de destaque. Não espere um local tipicamente organizado para turistas: haverá muita gente andando, muitos vendedores de todos tipos de itens oferecendo todos os produtos possíveis e imaginários, mas todos os excessos fazem de lá o local perfeito para quem deseja captar a essência da cidade. Os diversos souks, os mercados árabes tão famosos pelos cheiros e pelas cores, são lugares que atraem pessoas do mundo inteiro, inclusive moradores locais. Caminhando pelos corredores, as lojas de artesanato e as de produtos de argan estão entre as favoritas dos turistas, que, quase como uma regra, sempre conseguem preços menores pechinchando.

Bab Agnaou, uma das muralhas de medina (Foto: Luc Viatour)

Ao pôr do sol, um dos lugares mais frequentados é a praça Jemaa El-Fna. Encantadores de serpentes, tatuadores de henna, vendedores de churrascos típicos, comerciantes de incenso, músicos de instrumentos variados, rodas de dança e diversas outras atrações se reúnem ali, cercadas por restaurantes típicos onde pode-se experimentar a gastronomia local. Apesar de tantos atrativos, é necessário ficar atendo às questões de segurança: trata-se de um lugar cheio demais e que, portanto, exige atenção redobrada aos pertences.

Jemaa-el-Fna (Foto: Luc Viatour)

Perto dali, há cerca de 15 minutos de caminhada, ficam as tumbas saadianas, que por muito tempo foi cemitério da dinastia dos sultões. Para protegê-las, ergueram em seu entorno um muro, que protegeu o lugar da ação do homem ao longo dos anos – trata-se da única construção ainda de pé da época de ouro de Marrakesh, entre 1524 e 1659. Redescobertas em 1917 e posteriormente restauradas, são compostas por três prédios que, de tão bonitos, são considerados pela Unesco um Patrimônio Mundial.

Tumbas saadianas (Foto: Luc Viatour)

A 500m, está o Palácio el Badi, atualmente em ruínas e datado do mesmo período das tumbas. Sua principal atração são os jardins, mas a vista panorâmica que seu terraço oferece da cidade é de tirar o fôlego. Quem deseja conferir uma mansão árabe com todos os detalhes não precisa andar muito: bem próximo, fica o Palácio Bahia, datado do século XIX. Antiga propriedade do grão-vizir Ahmed ben Mussa, ele foi alvo de uma grande confusão na ocasião da morte deste: seus escravos levaram tudo o que puderam, assim como suas quatro esposas e 24 concubinas (mulheres não oficializadas), que disputaram todas as joias, títulos de propriedade e documentos. Em poucos dias, todos os cômodos foram saqueados, o que justifica todos estarem vazios. Ainda assim, o local impressiona. O prédio foi decorado pelos melhores artesãos do norte da África e da Andaluzia, garantindo detalhes belíssimas em sua arquitetura. São 150 cômodos, sendo cerca de 40 abertos a visitação, o que faz da caminhada um labirinto – no total, a construção ocupa quase 1km².

Palácio El Badi (Foto: aconcagua (talk))
Palácio Bahia (Foto: Jorge Láscar)

Outro lugar que pode ser conferido a partir de uma breve caminhada é o o Museu Dar Si Said, que funciona na antiga residência do irmão de Ahmed bem Mussa e que expõe diversas peças onde há arte marroquina do período anterior à invasão francesa. Outra instituição que merece ser visitada é o Musée de Marakesh, na outra extremidade de Medina, com artefatos diversos em um belíssimo prédio recentemente restaurado, o que trouxe de volta seu estilo mourisco que, por si só, já é alvo de elogios.


Outra construção que se destaca por sua arquitetura é a Madraça Ben Youssef, a cerca de 180m dali. Este local já foi a maior escola islâmica do norte da África, inaugurada no século XIV. No passado, tinha capacidade para receber 900 alunos, mas, atualmente, é apenas um cartão-postal: a instituição foi desativada na década de 1960. Os inúmeros detalhes em suas paredes são bastante fotografados por todos que se rendem aos seus encantos: é impossível não se impressionar com tantas cores.

Madraça Ben Youseff (Foto: Nash Finley)

Marrakesh possui outros inúmeros atrativos, dentro e fora de Medina. A melhor época para visitá-la é durante as meias estações, quando o calor não é tão intenso e o frio, não tão forte. Programe-se para visitá-la na próxima oportunidade. Será, sem dúvida, uma viagem inesquecível. Confira as ofertas com os anunciantes do Jornal Posto Seis e boa viagem!