Coluna "Turismo": Argentina (Ushuaya)

(publicada na edição 438)

Fotos: Facebook Turismo Ushuaia/Secretaría de Turismo de la Municipalidad de Ushuaia

O meio do ano é a época ideal para curtir neve nos países da América do Sul. Por serem mais baratos que os destinos de frio do Hemisfério Norte, costumam atrair principalmente os brasileiros, que mesmo afetados pela alta do dólar, não dispensam viajar para um lugar com paisagens que parecem cenários de filmes. Uma opção que não só surpreende pela beleza como também oferece muitas opções de entretenimento é Ushuaia, a cidade mais austral do planeta e situada há apenas um dia e meio da Antártida.


No inverno, a principal atração é o Cerro Castor, a estação de esqui localizada há 26 minutos da cidade. Composta por 31 pistas de todas as dificuldades, uma de suas características é o fato da neve estar sempre fofa e fresca por ter caído recentemente, transmitindo leveza ao praticante. Além disso, por ser quase a nível do mar, a prática ali exige menos esforço que na maior parte dos picos no mundo e sem temperaturas extremas – a média no inverno é entre 0 e -5ºC (se Ushuaya estivesse localizada no hemisfério Norte, sua latitude seria equivalente às cidades de Liverpool e Edimburgo, na Inglaterra). No verão, dificilmente ultrapassa os 10ºC.


Apesar do sucesso de Cerro Castor, o principal ponto turístico é o Parque Nacional Terra do Fogo, onde pode-se conhecer a flora e a fauna local, além dos castores, considerados pragas pelos nativos (a espécie não é natural da região, foi levada do Canadá para atenderem ao comércio de pele, o que não ocorreu devido às diferenças climáticas, que inviabilizaram a ideia e fizeram com que os animais se reproduzissem sem que haja predadores para eles), mas adorados pelos turistas. A maneira mais tradicional de conhecê-lo é a bordo do “Trem do Fim do Mundo”. Trata-se da mesma locomotiva que, outrora (entre 1909 e 1952), já atendeu ao presídio local (a partir do qual a cidade se desenvolveu; hoje, a unidade encontra-se desativada e transformada nos museus Marítimo e do Presídio de Ushuaia) e levava os detentos para cortarem lenha.


Hoje, o serviço é voltado exclusivo para os visitantes, percorrendo 8 dos 25km originais e passando por belíssimas paisagens compostas por vales profundos com rios, lagos e mar e enormes montanhas cobertas de neve, caso o passeio ocorra no inverno. O trajeto é percorrido bem devagar e quem preferir pode ir até o parque de carro, de táxi (muitos motoristas negociam valores amigáveis para conduzir os turistas pelo local) ou por tours oferecidos por agências. Se, no inverno, a neve domina a paisagem, no verão a vegetação verde torna-se igualmente atrativa, assim como a predominância das cores amarelo e vermelho nas plantas no outono. Não há uma época melhor para visitar o parque: cada uma delas proporciona uma experiência diferente.

Chegando ao parque, pode-se passar o dia inteiro visitando-o devido à sua enorme extensão (apesar dele estar todo localizado na Argentina, algumas das montanhas situam-se no território chileno). As trilhas são diversas e os graus de dificuldade variam, mas todos esses detalhes são apresentados no mapa que pode ser pego na entrada do parque, que oferece descontos para moradores de países pertencentes ao Mercosul, o que inclui os brasileiros


Por mais tentador que seja passar o tempo inteiro no local, Ushuaia oferece muitas outras atrações como os passeios de barco. Eles passam por geleiras e ilhas com espécies diversas como pinguins, baleias, leões e elefantes marinhos, toninhas, golfinhos, aves diversas e muito mais. A visita ao Farol Les Eclaireus, muitas vezes confundido com o “Farol do Fim do Mundo” do livro do escritor Júlio Verne, que nunca esteve na região e se referia, na verdade, à estrutura da Isla de Los Estados, ainda mais austral). Situado em uma pequena ilha no Canal de Beagle, o simbolismo de Les Eclaireus faz dele um dos mais famosos da região Para os mais exploradores, a cidade também é porta de entrada para a Antártida no verão. É de lá que saem as expedições ao sexto continente, inabitado e pouco explorado por turistas.


A gastronomia local também é um forte atrativo. O Canal de Beagle produz uma das melhores “centollas” (caranguejos gigantes) do mundo, atraindo os fãs do crustáceo. A merluza negra, geralmente comercializada por preços exorbitantes nos restaurantes mais renomados ao redor do mundo, faz parte do cardápio da região, permitindo que os visitantes experimentem sua saborosíssima carne. Há também opções para quem prefere alimentos sem origem marinha como o cordeiro fueguino, uma das mais delicadas do mundo.

Há ainda inúmeros outros motivos para visitar Ushuaya, como seus museus. O do Fim do Mundo tem seu acervo dedicado aos índios, à natureza, à histórica e aos naufrágios ocorridos nas imediações da região. O Yámana traz maquetes, painéis, fotografias e vídeos sobre a tribo indígena que dá nome à instituição e muito cultuada na cidade por viver em baixas temperaturas com pouquíssima tecnologia. Já a Galeria Temática Última Bita apresenta a história da própria Terra do Fogo através de estátuas em tamanho natural.


Há muito mais para conhecer na cidade, que também é o único centro invernal que reúne férias na neve e lojas “duty free”, permitindo compras de produtos nacionais e importados isentos de impostos. Do Brasil, não há voos diretos para o Ushuaia; é necessário escala em Buenos Aires e/ou El Calafate (também na Patagônia argentina e onde vale a pena dedicar alguns dias para conhecer as imensas geleiras) por valores convidativos aos bolsos dos turistas. Procure mais informações nos anunciantes do Jornal Posto Seis.