Live "Histórias Entrelaçadas: colonialismo e nazismo" discute importância das políticas de memória


Dias após o flagrante de um homem empunhando a bandeira nazista chocar Florianópolis (SC), o projeto "Nossas vozes. A escuta nas políticas de memória", que discute o ódio, o antissemitismo e o racismo contemporâneos sob uma perspectiva histórica, segue reforçando a importância do assunto nos dias atuais. Histórias Entrelaçadas: colonialismo e nazismo é o tema da live desta quinta-feira (20), às 17h, com a jornalista Heliete Vaitsman, autora dos livros "Judeus da Leopoldina" (2006) e "O Cisne e o Aviador" (2014), e coorganizadora do livro "Antissemitismo, uma obsessão: argumentos e narrativas" (2020); a historiadora alemã Susann Lewerenz, do Centro de Estudos do Campo de Concentração Neuengamme, um lugar de memória perto de Hamburgo; e o professor e historiador Sidney Aguilar Filho. A moderação será feita pela historiadora Astrid Kusser Ferreira (Goethe-Institut).


Em sua tese de doutorado, "Educação, autoritarismo e eugenia = exploração do trabalho e violência à infância desamparada no Brasil (1930-1945)", Sidney Aguilar Filho revelou a história de crianças negras retiradas de um orfanato no Rio de Janeiro e submetidas a cárcere, castigos físicos e trabalhos forçados, em uma fazenda no interior de SP por membros da cúpula da Ação Integralista Brasileira, adeptos ao nazismo.


Este é o segundo da série de quatro de encontros online, com transmissão pelo canal do Goethe-Institut no YouTube (https://www.youtube.com/goetheinstitutriodejaneiro). A iniciativa visa estimular e valorizar a memória, buscando meios de dar significado a eventos traumáticos do passado, enquanto atos e estruturas racistas e antissemitas continuam ameaçando a vida e o convívio nos dias de hoje.


Os debates, realizados em parceria entre o Cine Educação e o Goethe-Institut, jogam luz nos temas apresentados pela exposição "Nossa Luta: a perseguição dos negros durante o Holocausto", sobre o tratamento dado pelos nazistas aos afro-germânicos e africanos. Realizada pelo Museu do Holocausto de Curitiba em parceria com a Clínica de Direitos Humanos da PUC do Paraná e com o Centro Cultural Humanita, a mostra chegou ao Rio de Janeiro em 2020, com o apoio do Goethe-Institut. A visitação, no entanto, teve de ser interrompida devido às restrições impostas pela pandemia de covid-19. O resultado das pesquisas foi lançado na internet como material educativo, que pode ser acessado gratuitamente em www.museudoholocausto.org.br/downloads/NossaLuta.pdf.


Próximas lives

27/05 - Como ensinar escravidão e holocausto?


Com a participação de Carlos Reiss, coordenador-geral do Museu do Holocausto de Curitiba; Tatiana Henrique, atriz, professora, pesquisadora de tradições orais e contação de histórias; e Clarissa Lima, professora, escritora, mestra em Educação (UFRJ), pós-graduada em Relações Étnico- Raciais e Educação (Cefet) e em Psicopedagogia (Unifeso). Moderação do historiador David Alfredo.


03/06 - Reparação Histórica


Com a participação Edson Santos, sociólogo e político brasileiro, ex-ministro-chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (2008-2010); Humberto Adami, advogado, presidente das comissões Nacional e Estadual (RJ) da Escravidão Negra no Brasil, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB); Wania Sant'Anna, historiadora, ex-secretária de Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro (2002); e Selma Dealdina, quilombola do Angelim III, Território do Sapê do Norte, assistente social, conselheira da Anistia Internacional e organizadora do livro ''Mulheres Quilombolas: territórios de existências negras femininas''. Moderação de Bernard Brito, curador do Cine Educação.


Minibios

Heliete Vaitsman. Jornalista, diretora de comunicação do Museu Judaico do Rio de Janeiro e da ASA. Atuou em diferentes postos nas redações do Jornal do Brasil e O Globo. É autora dos livros "Judeus da Leopoldina" (2006) e "O Cisne e o Aviador" (2014), romance histórico que investiga a vida e a morte de Herberts Cukurs, lendário piloto e engenheiro de aviação que se tornou herói nacional da Letônia até a ocupação nazista, quando foi apontado como colaborador da morte de mais de 30 mil judeus. Cukurs se estabeleceu no Brasil em 1946, tendo inaugurado os pedalinhos da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, e foi assassinado em Montevidéu, no Uruguai, por agentes do Mossad, o serviço de inteligência israelense, quase 20 anos depois. Também é coorganizadora do livro "Antissemitismo, uma obsessão: argumentos e narrativas" (2020), juntamente com Eliane Pszczol. Os ensaios reunidos buscam mostrar que o antissemitismo não é um problema judaico e sim da humanidade, inserido que está na luta comum pelos direitos humanos.


Susann Lewerenz. Pesquisadora e historiadora, trabalha sobre os temas do pós-colonialismo e do racismo na cultura visual na Alemanha. Seu doutorado sobre entretenimento exotificado na Alemanha no século 20 foi publicado em 2017. Ela trabalha no Centro de Estudos do Campo de Concentração Neuengamme, um lugar de memória perto de Hamburgo.


Sidney Aguilar Filho. Professor e historiador. Bacharelado em História pela Universidade de São Paulo (1991), Licenciatura em História pela Universidade de São Paulo (1992), Mestrado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2002), Doutorado em Filosofia e História da Educação pela Universidade Estadual de Campinas (2011). Menção Honrosa no Prêmio Capes de Tese 2012 da área de Educação. Prêmio Fundação Carlos Chagas / Fundação Conrado Wessel - 2012 pela contribuição à Educação brasileira.


Astrid Kusser Ferreira. Doutora em História e coordenadora da programação cultural do Goethe-Institut Rio de Janeiro.