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Exposição “Diálogo No Escuro” volta ao Museu Histórico Nacional


(Foto: Divulgação)

Após sete anos, a exposição “Diálogo no Escuro” volta ao Rio, novamente montada no Museu Histórico Nacional (MHN) como parte das comemorações de seu centenário. Como na primeira vez, o público irá conhecer uma instalação que simula espaços e cenas do dia a dia, num ambiente totalmente às escuras, proporcionando uma reflexão sobre a cegueira. A entrada é gratuita.


O trajeto consiste em um caminho escuro, reproduzindo a realidade de um cego em espaços como o Jardim Botânico, a feira de artesanato da Avenida Atlântica e ruas diversas. Para chegar ao fim, os visitantes, munidos de bengalas e acompanhados por pessoas com deficiência visual, precisam sentir e experimentar as várias possibilidades da rota, assim como as pessoas que não enxergam. “A escuridão faz você perder todos os referenciais. O cego, que é guiado fora de lá, passa a ser quem conduz. Ele tem o poder lá dentro. O objetivo não é fazer uma simulação da cegueira, afinal, a experiência dura 45, 50 minutos. O principal é a conexão entre as pessoas”, explica o sócio-diretor da Calina Projetos (empresa responsável pelo projeto no Brasil), Luiz Calina, que continua:


“Tudo que a gente ouve é que a experiência é transformadora. Essa palavra tem surgido muito em quem tem ido a São Paulo e também em quem foi no Rio (em 2016). Não é algo que apenas fala sobre as dificuldades de uma pessoa com deficiência. A experiência mostra. O público sai muito mais sensibilizado com a questão e propenso a ajudar nas ruas”. O retorno ao Rio é comemorado por Calina, que afirma que o grupo sempre teve interesse em voltar à cidade. “Existem alguns lugares no mundo onde a exposição é permanente. Gostaria que houvesse uma no Brasil, mas se a gente conseguir, provavelmente vai ser em São Paulo, apesar de a experiência no Rio ter sido muito positiva. Os cariocas merecem todas as lições que ela transmite”.


No final do passeio, os visitantes são convidados a se sentarem em um banco e, ali, passam a conhecer o responsável pelo guiamento, que, sem enxergar, se apresenta, responde às dúvidas e curiosidades e fala um pouco de sua história, suas dificuldades e necessidades e anseios. A “guia master” da ação é Carla Gomes da Rocha, que treinou os demais parceiros. “Não posso mudar pensamentos, mas sim as atitudes das pessoas. É muito gratificante poder transmitir segurança e confiança aos visitantes. Assim é o nosso dia a dia, pois, muitas vezes, dependemos dos outros para atravessar uma rua ou chegar a um determinado local”, resume, ao falar sobre o que espera que os visitantes possam levar da vivência.


“Diálogo no Escuro” passou por 47 países, entre eles o Brasil, onde mais de 200 mil visitantes já tiveram a experiência. No mundo, já são mais de 10 milhões de pessoas, 170 cidades e 29 localidades. Para Calina, esses números tendem a crescer. “Nos últimos anos, o conceito de empatia tem crescido na sociedade. Acho que algumas coisas melhoraram, mas ainda faltam muitas outras. A acessibilidade nas ruas ainda é um problema”, analisa, mencionando que em todo o Rio, haveria apenas dois sinais de trânsito com efeitos sonoros para ajudar a travessia do público com deficiência visual: um em frente ao Instituto Benjamin Constant, na Urca; e outro perto da União dos Cegos do Brasil, no Encantado.


Além de “Diálogo No Escuro”, a Calina Projetos, em parceria com a Dialogue Social Enterprise, responsável pelo projeto com sede na Alemanha, também proporciona as experiências “Diálogo No Silêncio”, que propõe reflexão sobre deficiência auditiva; e “Diálogo Com o Tempo”, que envolve a chegada da terceira idade. “A gente já montou essa em São Paulo, mas não houve possibilidade de trazer ao Rio. A do silêncio é bem interessante também porque as pessoas usam linguagem de sinais e têm que se comunicar. A dificuldade das pessoas surdas é essa. É como se falassem alemão. Ninguém aqui entende nada. Eles têm que tentar se envolver através de leitura labial”, finaliza Calina.


Serviço: Diálogo no Escuro | Quando: até 30 de julho | Onde: Museu Histórico Nacional (Praça Marechal Câmara, Centro) | Dias e Horários: Quintas e sextas, das 10h às 16h (última sessão), sábados e domingos, das 13h às 16h (última sessão) | Entrada: Gratuita. | É necessário ter mais de 8 anos para ter acesso à exposição. Crianças com menos de 12 anos precisam estar acompanhadas dos pais ou responsáveis.

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