Documentário celebra o centenário de Maria Clara Machado, que seria comemorado em abril


Maria Clara Machado completaria 100 anos dia 3 de abril e para comemorar a data, a TV Brasil exibe um documentário sobre a maior dramaturga do teatro infantil do Brasil. A produção vai ao ar dia 28 de março, às 20h. Autora de 23 peças infantis, Maria Clara é comparada internacionalmente a nomes como Hans Christian Andersen e Mark Twain.


Natural de Belo Horizonte, Minas Gerais, Maria Clara nasceu no dia 3 de abril de 1921 e mudou-se, ainda pequena, para o Rio de Janeiro, onde iniciou seus estudos. Cresceu em Ipanema, em meio a figuras como Pagu, Oswald de Andrade e Di Cavalcanti, amigos de seu pai, o escritor Aníbal Machado. Foi bandeirante quando menina e dividia-se entre as viagens e os trabalhos voluntários com crianças.


Aos 19 anos, decidiu morar em Paris e voltou de lá apaixonada pelo teatro. Após receber da Unesco outra bolsa de estudos, fez um curso de férias em Londres. De volta à França, frequentou o curso de mímica de Etienne Decroux. Quando voltou ao Brasil, fundou o Tablado (Teatro do Patronato da Gávea), a companhia de teatro que se transformou no embrião da carreira de muitos atores que se destacam no cenário nacional. O Tablado foi, mais tarde, uma referência na formação de cenógrafos, figurinistas, iluminadores e, claro, de atores e diretores como Hamilton Vaz Pereira, Wolf Maya, Cininha de Paula, Louise Cardoso, Malu Mader, Ângelo Paes Leme, Leonardo Brício, Andréa Beltrão, Fernanda Torres, Rubens Corrêa, Jaqueline Laurence, entre outros.


Maria Clara também fundou a revista “Cadernos de Teatro”, para a orientação de grupos amadores. Com poucos recursos, conseguiu publicar 100 números. Dirigiu o Conservatório Nacional de Teatro da UNI-RIO, o Serviço de Teatro e Diversões Públicas do Estado do Rio e representou o Brasil no Congresso de Teatro para a Juventude, realizado em Paris, em 1965.


Por sua genialidade, recebeu todos os prêmios do teatro brasileiro: Saci, Mambembe, Machado de Assis e outros. A partir desse momento, suas obras começaram a ser premiadas internacionalmente e traduzidas para diversos idiomas. Contam que o escritor Manuel Bandeira chorou ao ver uma montagem da peça “O Cavalinho Azul”, que foi considerada a obra-prima da escritora, por ter revolucionado o teatro infantil brasileiro.

Numa época em que o teatro para crianças era didático e moralista, Maria Clara Machado mostrou que ele podia ser inteligente e que a sensibilidade infantil permite uma compreensão única do mundo, tão essencial para as crianças como para os adultos. Dessa maneira, eternizou o valor da amizade em “Pluft – O Fantasminha”, o valor da bondade em “O Rapto das Cebolinhas” e na “Bruxinha Que Era Boa” e o da liberdade em “A Menina e o Vento”. Em “O Cavalinho Azul”, representou a vontade impossível de superar o sofrimento. Como ela mesma dizia: “Aprendi que amadurecer dói, mas o fruto pode ser bom”.


Maria Clara eternizou, na fantasia, o desejo coletivo de ser sempre criança. Em suas palavras: “O teatro para nós era uma maneira de viver melhor. Queríamos salvar o mundo pela arte e pela enorme emoção de ver um trabalho bem acabado”. Em 2001, já era considerada tão importante para a dramaturgia infantil quanto Nelson Rodrigues foi para a modernização dos textos teatrais brasileiros. O último trabalho de Maria Clara Machado, “Jonas e a baleia”, continuou em cartaz no Teatro Tablado até muito pouco tempo atrás, sendo recomendado por todos os críticos de teatro dos principais jornais brasileiros.


Os 100 anos da dramaturga serão comemorados na Fundação Casa de Rui Barbosa, que realiza, em abril, uma exposição com curadoria da chefe do Arquivo Museu de Literatura Brasileira do espaço, Rosângela Florido Rangel.