Coluna "Turismo": Japão

(publicada na edição 518)


Sonhando em ver as cerejeiras floridas no Japão? A beleza dessas árvores encanta um imenso número de turistas, que viajam até a Terra do Sol Nascente especialmente para vê-las. Entretanto, questões como quando e onde ir confundem muitos visitantes, que costumam descobrir a temporada apenas quando ela já está acontecendo, geralmente, entre março e abril. Que tal se programar para ir em 2020? Confira algumas dicas para ajudar em sua viagem.


A cada ano, as primeiras a florirem são as do sul, seguidas pelas do norte. O ápice da beleza costuma ter início cerca de uma semana após as primeiras flores aparecem e dura, aproximadamente, 15 dias. Todo esse cronograma pode ser antecipado dependendo das condições climáticas - por este motivo, é impossível precisar, meses antes, qual será a situação na data da viagem. Dessa forma, agências diversas montam roteiros passando por várias cidades, aumentando as chances de visualizar o momento correto.


Quando ele acontece, proporciona ao público uma experiência emocionante para todos, inclusive para os japoneses que assistem aquilo todo ano. A beleza das sakuras (nome das pequenas flores) voando ao vento e formando um tapete pelo chão faz valer cada hora da longa viagem. Elas propõe uma metáfora sobre a existência humana: bela, porém, rápida demais. A simbologia também marca o fim de um ciclo: a partir da floração, encerra-se o inverno rigoroso.


Tóquio, a capital, possui diversos pontos onde esse espetáculo da natureza pode ser visto, como as margens do Rio Meguro, um lugar bastante popular. Apesar da fama deste espaço, há quem prefira o parque Shinjuku Gyoen, onde há mais de 1 mil cerejeiras de tipos diversos com datas de florações diferentes – ou seja, é bastante improvável não ver, ao menos, uma variação florida. Ele fica perto de Kabukichō, local tradicional onde os japoneses se divertem nos karaokê; de Harajuku, área onde a cultura pop do país fica evidente nas centenas de lojinhas alternativas e no público composto por “cosplayers” (pessoas fantasiadas como personagens); de Shibuya, onde fica o cruzamento mais movimentado do mundo, onde três milhões de pedestres atravessam diariamente; e do Palácio Imperial, erguido no contexto da mudança da capital para Tóquio, no século XIX. O prédio é fechado a visitação, mas a visita guiada apresenta os pontos mais importantes do complexo e do belo jardim (onde há mais cerejeiras). Há poucos metros de lá, fica o Mercado Tsukiji, com diversas opções gastronômicas locais.

Rio Meguro
Shinjuku Gyoen (Foto: Kakidai/Wikipedia)
Cruzamento em Shibuya (Foto: Landry Miguel/Wikipedia)

Um pouco mais ao norte, fica o Parque Yoyogi, onde se situa o Santuário Meiji Jingu. A construção original foi destruída na Segunda Guerra Mundial, mas ainda é o local favoriyo dos japoneses para casamentos tradicionais xintoísta, sempre aos domingos, além de outras cerimônias nas quais os participantes vestem os trajes típicos. O acesso se dá por uma grande avenida para pedestres em meio a muitas árvores, muitas delas doadas por pessoas do mundo todo que ajudaram na reconstrução do local, e esse contato com a natureza proporciona uma tranquilidade que constrasta com a concentração populacional na maior parte da cidade. De lá, pode-se ir ao Parque Ueno, o mais popular do Japão e um dos melhores lugares para ver as sakuras, que, ali, aparecem tardiamente, já no fim da temporada. Nele, fica também o Museu Nacional de Tóquio, com um enorme acervo de arte asiática. Não perca!

Santuário Meiji Jingu
Parque Ueno (Foto: Bernard Gagnon/Wikipedia)

Apesar de Tóquio concentrar muitas atrações, outras cidades também merecem ser visitadas, como Kyoto. A antiga capital imperial é bastante requisitada pelos turistas que desejam ver as cerejeiras em meio aos muitos templos budistas. O de Kiyomizu-dera, fundado em 798, é considerado Patrimônio Mundial da Unesco, o que, por si só, já é um motivo para ele ser visitado. Construído na parte mais alta da cidade, de lá pode-se conferir a paisagem. A má notícia é que seu salão principal está em obras. A previsão de reinauguração é março de 2020, então dependendo da data da floração das cerejeiras, pode ser que ele ainda não esteja pronto.


Já o do templo de Ninnaji, erguido em 888 e que também recebeu o título da Unesco, segue de portas abertas, também funcionando como cenário perfeito para as belas sakuras (que, ali, surgem depois das demais). Outros como o Kinkaku-ji, de 1397, todo dourado também devem ser visitados. Este, com suas paredes douradas, é um dos principais cartões-postais da cidade, que também abriga o Castelo Nijo-Jo, outro lugar onde as cerejeiras estão presentes. O endereço já foi sede do poder japonês e atualmente é aberto para visitação com mais de 30 salas ricamente decoradas.

Kinkaku-ji

Hiroshima é outro destino bastante visitado (e, a partir de Kyoto, chega-se até lá de trem-bala). Ali, o passado da cidade, atingida por uma bomba atômica, faz o significado da floração das cerejeiras receber um significado ainda mais intenso: o local é a prova viva do quão rápido pode ser o ciclo da vida. Elas estão, principalmente, em Sagishima, onde mais de 1 mil exemplares são encontrados na encosta de uma montanha. É possível subi-la através de uma trilha, que leva ao topo. De lá, o tom de rosa contrasta com o azul do mar, tornando o passeio ainda mais bonito.


As sakuras também podem ser vistas no Castelo de Hiroshima, que funciona como um museu contando a história da cidade antes da explosão, da cultura samurai e da própria construção, que foi desintegrada na explosão (a atual é uma réplica). A fatídica data também é lembrada no Parque da Paz, onde fica o Memorial da Paz de Hiroshima (também conhecido como Cúpula da Bomba), mantida de pé para relembrar a tragédia. Apesar de o local ter sido transformado em um cartão-postal, é no Hiroshima Peace Memorial Museum que os visitantes encontram detalhes sobre o ocorrido.

Castelo de Hiroshima
Memorial da Paz de Hiroshima

De volta às imediações de Tóquio, Yokohama também é um destino muito procurado pelos amantes das cerejeiras floridas. A cidade, que sediou a final da Copa do Mundo em 2002, é repleta delas principalmente nas margens do Rio Ooka, onde é possível praticar stand up paddle. Trata-se de uma maneira diferente de contemplar a beleza das árvores, sem a multidão usual nos outros espaços. Apesar da experiência de lá, é no Mitsuike Park que a contemplação é ainda mais especial: o local é apontado como um dos 100 melhores do Japão, com milhares de exemplares.


Yokohama, que no passado se modernizou para ficar no mesmo nível da capital, sua vizinha, atualmente é a segunda maior cidade do país, ficando atrás apenas de Tóquio. Trata-se de um local multicultural com atrações únicas como o Shin-Yokohama Raumen Museum, que também é um parque de diversões. O espaço é dedicado, principalmente, aos macarrões instantâneos tipo Lámen, temática semelhante à abordada pelo Cup Noodles Museum, focado na evolução do macarrão instantâneo. Há ainda a maior Chinatown da Ásia com cerca de 300 lojas e restaurantes, contrastando com a pequena população de chineses na cidade.


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