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Central do Brasil e Praça da República

A região da Central do Brasil é uma das mais movimentadas da cidade. A estação ferroviária, um dos mais notáveis exemplos da arquitetura art déco, atende a milhares de pessoas diariamente. Atravessando a Avenida Presidente Vargas, em frente ao local, há a Praça da República, um grande espaço bucólico e que recebe este nome por ser um cenário importante na história do Brasil.

A região, originalmente pantanosa, era localizada fora dos limites da cidade (que iam até a Rua da Vala - atual Rua Uruguaiana) e por isso, era usado como depósito de lixo até o final do século XVIII. Nessa época, chamava-se Campo da Cidade. O nome foi alterado pouco tempo depois, após a ordem dominicana ser autorizada a instalar ali um templo. No entanto, somente quando o vice-rei D. José Luís de Castro, o Conde de Resende (cujo mandato teve início em 1790 e durou até 1801), ordenou o aterro da área, que a Igreja de Nossa Senhora de Sant'anna foi construída, fazendo com que todo o seu entorno passasse a ser chamado de Campo de Santana.


Com a chegada da Família Real, a região foi escolhida para ser o endereço do Quartel do Campo, que abrigava as tropas portuguesas que vieram junto com a Corte e que estavam instaladas temporariamente no Mosteiro de São Bento. A localização do prédio, construído entre 1811 e 1818, foi escolhida minuciosamente: além da proximidade com o resto da cidade, era perto do Campo de Santana, onde eram realizados exercícios militares. Por isso, ele ocupou o terreno vizinho à Igreja de Nossa Senhora de Sant'anna. Sua arquitetura era muito simples: o edifício possuía quatro lados e um pátio central.


Alguns anos depois, a antiga paróquia foi demolida e, em seu lugar, foi erguida a estação ferroviária do Campo d'Acclamação, inaugurada em 29 de março de 1858. Nesse primeiro momento, o funcionamento era restrito apenas entre o Campo d'Acclamação (atual Praça da República/Campo de Santana) e Nossa Senhora da Conceição de Marapicu (hoje, Queimados). A estação do Campo d'Acclamação ficava na diagonal da Rua Dr. João Ricardo (atual Bento Ribeiro) com o Largo do Campo (atual Praça Duque de Caxias). A entrada acontecia pela frente do Campo d'Acclamação e a saída, pela Rua Formosa (atual General Caldwell).


Inicialmente, haviam três trens: o Imperial, com oito carros de primeira classe, e outros dois convencionais. As primeiras viagens foram exclusivas para convidados, que puderam apreciar bandas de música tocando peças diversas em um vagão aberto entre a locomotiva e o primeiro vagão. O passeio inicial, conduzido pela locomotiva "Brasil", aconteceu às 11h (antes disso, no entanto, outra foi realizada sem passageiros para verificar se havia algum obstáculo nos trilhos). Ela foi até Machambomba (atual Nova Iguaçu), onde esperou pelas outras. A segunda deveria ser a "Imperatriz", indo até Cascadura, mas devido a um defeito, a "Imperador", que levava o regente D. Pedro II até Nossa Senhora da Conceição de Marapicu (Queimados), saiu na frente. No fim, todas, inclusive a "Imperatriz" (que se moveu após três vagões serem separados, pois o vapor produzido por ela era incapaz de aguentar o peso do trem inteiro) foram para este destino. À tarde, era previsto que os passeios fossem repetidos, o que não aconteceu devido ao atraso do monarca durante a manhã, o que atrapalhou o cronograma. A abertura ao público aconteceu no mesmo dia à noite, quando foi realizada uma segunda cerimônia de benção em um altar montado (a primeira havia sido ainda cedo, antes da viagem inaugural).


Após a inauguração da estação, pouca coisa mudou na região. Em 1864, o Corpo Provisório de Bombeiros da Corte, criado pelo imperador D. Pedro II em 2 de julho de 1856, ganhou sua primeira sede no Campo d'Acclamação. Até então, a extinção do fogo era responsabilidade dos arsenais de Guerra e da Marinha, de repartições de obras públicas e da Casa de Correção. Esse prédio, no entanto, não era o de estilo eclético que enfeita a região atualmente; este foi erguido entre 1898 e 1903. Essa instituição marcou o início ao Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro.


Em 1889, o Campo d'Acclamação foi o cenário inicial de um dos episódios mais importantes da história do Brasil: a Proclamação da República. A ação visava apenas tirar o cargo do chefe do gabinete imperial, o Visconde de Ouro Preto, devido às mudanças políticas apresentadas, que visavam preservar a monarquia. Nessa época, esse regime encontrava-se ameaçado: o imperador D. Pedro II encontrava-se com mais de 60 anos (muito para a época) e com a saúde debilitada. O trono seria herdado por sua filha Princesa Isabel, que além de não ter sido preparada para assumir o cargo, era casada com Conde D'Eu, cuja personalidade desagradava o povo. Além disso, a questão da escravidão também era um problema: enquanto alguns grupos posicionaram-se contra a abolição, outros reclamavam alegando que ela demorou tempo demais para acontecer por causa da participação dos negros na Guerra do Paraguai. Havia também uma forte crise econômica e militar, além da perda do apoio da Igreja Católica.


A ação estava prevista para acontecer no dia 20 de novembro, mas diante do cenário político, foi antecipada. Espalhou-se um boato que dizia que o governo mandara prender os militares Benjamim Constant (que era um dos principais articuladores do levante) e o Marechal Deodoro da Fonseca. Na madrugada do dia 15, os conspiradores visitaram a casa de Fonseca, que era monarquista. Alegando que a ordem de prisão havia sido expedida, convenceram-no a aceitar liderar o grupo. Ele atravessou o Campo d'Acclamação, rumo ao Quartel do Campo. Os revoltosos tomaram o prédio e o quartel-general. Em seguida, Fonseca, que estava doente, retornou à sua residência (cujo imóvel continua de pé, voltada para a praça e situada na esquina com a Avenida Presidente Vargas, aproximadamente em frente ao prédio da Central do Brasil), enquanto o resto do grupo seguiu rumo ao Paço Imperial, onde conseguiram a prisão do Visconde de Rio Branco e, consequentemente, a proclamação da república, que aconteceu naquela mesma tarde, na Câmara Municipal, localizada no próprio Campo d'Acclamação.


Entre 1906 e 1910, o quartel passou por grandes reformas. Anteriormente, em 1861, já havia sido ampliado e, nessa época, ganhou pavimento superior e nova fachada. O novo prédio, com três andares, era voltado para a Rua Larga (atual Marechal Floriano) e era um exemplar da arquitetura eclética que dominava às ruas naquele momento: além de arcos decorativos de argamassa (acima dos quais foram instaladas águas de cimento), havia muitas janelas decoradas com frontões (alguns triangulares e outros, redondos - os formatos alternavam-se) e sacadas (existentes no segundo andar). Nas extremidades, as janelas superiores também possuíam sacadas. Além disso, nas quinas do edifício, podiam ser vistos adornos com rostos de leões (representando a bravura). Nessas partes, o topo, acastelado, possuía pequenas torres.


Esse prédio teve vida curta. Na década de 1930, ele e a antiga estação ferroviária foram substituídos por novas construções, ambas no estilo art dêco. A Estação D. Pedro II (nome da Estação do Campo desde 1925) passou por mudanças graduais: a pedra fundamental da nova sede foi lançada em 1936. Quatro anos mais tarde, a estrutura do século XIX foi demolida (com a construção da nova acontecendo simultaneamente no terreno de trás) e, até 1941, somente o ramal até Belém (Japeri) continuou funcionando. Nesse período, todas as outras haviam sido transferidas para a estação Alfredo Maia (que fazia parte da linha adicional e, posteriormente, foi desativada). A edificação foi concluída somente em 1943. Essa expansão foi necessária devido ao crescimento do sistema e das obras de eletrificação da linha. O novo edifício possui um enorme relógio de quatro faces que se destaca no panorama da região.


Já o antigo Ministério da Guerra foi parcialmente demolido (sua estrutura ainda ocupa as ruas Visconde da Gávea, Bento Ribeiro e parte da Marcílio Dias) para dar lugar do Palácio Duque de Caxias. Projetado pelo arquiteto Cristiano Stockler das Neves, foi erguido entre 1937 e 1941 e destacou-se pelo seu tamanho, ocupando uma área de 86 mil m². A fachada é de mármore e o interior é decorado com vitrais do artista plástico Alcebíades Miranda Junior. Continuou como sede do Ministério da Guerra até 1960, quando a capital foi transferida para Brasília. Desde então, passou a ser o quartel-general do Comando Militar do Leste.


Ainda em 1941, foi inaugurado o primeiro trecho da Avenida Presidente Vargas, considerada o principal eixo entre as zonas norte e sul. Com 80m de largura, a ideia era que, com sua conclusão total (da Candelária à Praça da Bandeira), ela se tornasse a maior artéria da América Latina. No primeiro momento, apenas o pedaço entre a Praça da Bandeira e o Campo de Santana (nessa época, também chamado de Praça da República) foi aberto, passando pela frente da Estação D. Pedro II. No ano seguinte, o terreno foi cortado e, por aquele espaço, a via continuou até a Rua Uruguaiana. A última parte era a que ia deste ponto até a Rua Visconde de Itaboraí, já prevendo uma futura conexão com o Viaduto da Perimetral. Por causa desse novo logradouro, diversos quarteirões de antigos sobrados foram demolidos. A destruição acabou também com a Praça Onze, o berço do samba, e com as igrejas de São Pedro dos Clérigos, São Benedito e da Conceição.


A Avenida Presidente Vargas foi também o endereço da homenagem aos 150 anos do Patrono do Exército, o Duque de Caxias, em 25 de agosto de 1949. Os restos mortais do militar e de sua esposa foram exumados no dia 23 e transferidos à Igreja de Santa Cruz dos Militares no dia seguinte, de onde foram levados para as proximidades da Praça da República. Paralelamente, acontecia uma cerimônia no Palácio do Catete, inaugurando a efígie, localizada em frente ao Palácio Duque de Caxias (inaugurado em 1940 no lugar do antigo prédio do Ministério da Guerra). A escultura de bronze, assinada pelo artista plástico Rodolfo Bernardelli, ficava no Largo do Machado até ser transferida para o monumento. Ela foi instalada em cima de uma base de concreto armado e revestida em mármore, decoradas com relevos representando dois momentos de sua carreira.


Na década de 1990, a Estação D. Pedro II tornou-se famosa devido ao filme "Central do Brasil". O longa, de 1998, concorreu ao Oscar como Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz (pela atuação de Fernanda Montenegro, a protagonista), o que popularizou o nome pelo qual os cariocas já usavam para se referir ao local. Por isso, foi oficialmente renomeada como Central do Brasil.


Atualmente, a Central do Brasil passa por um processo de modernização. É prevista uma grande reforma que promete realocar o antigo prédio de 1943 no tempo. No entorno do Campo de Santana, edifícios antigos também foram restaurados. O casarão onde funcionou o Museu Real, o Arquivo Nacional e a Casa da Moeda foi transformado no Museu Casa da Moeda, com salas de exposições temporárias, salões multiuso e biblioteca, que ainda será inaugurado.

CZAJKOWSKI, Jorge (org). Guia da arquitetura eclética no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora Casa da Palavra, 2000. 451 páginas.
SN. "Programma para a inauguração da 1ª secção da Estrada de Ferro de D. Pedro II no dia 29 de março de 1858". O Correio da Tarde, 28 de março de 1858, página 2.
SN. "Estrada de ferro de D. Pedro II". O Correio da Tarde, 29 de março de 1852, página 2.
SN. "Estrada de ferro de D. Pedro II". O Correio da Tarde, 30 de março de 1852, página 2.
SN. "Construção imediata da Avenida Diagonal". O Globo, 11 de novembro de 1941, edição vespertina, páginas 1 e 2.
In: http://pt.wikipedia.org/wiki/Proclama%C3%A7%C3%A3o_da_Rep%C3%BAblica_do_Brasil#Golpe_militar_de_15_de_novembro_de_1889_e_a_proclama.C3.A7.C3.A3o_da_Rep.C3.BAblica
In: http://pt.wikipedia.org/wiki/Esta%C3%A7%C3%A3o_Central_do_Brasil
In: http://www.estacoesferroviarias.com.br/efcb_rj_linha_centro/dpedro.htm
In: http://www.fortedecopacabana.com/pantheon-de-caxias.html
In: http://www.casadamoeda.gov.br/portalCMB/menu/cidadania/cultural/museu.jsp
In: http://www.cbmerj.rj.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=20:resumo-historico-do-corpo-de-bombeiros-militar-do-estado-do-rio-de-janeiro&catid=1:conhecendo-o-cbmerj&Itemid=9
In: http://riodejaneiroqueeuamo.blogspot.com.br/2010/02/corpo-de-bombeiros-do-campo-de-santana.html
In: http://www.marcillio.com/rio/encerepu.html
In: http://www.casaruibarbosa.gov.br/glaziou/pdf/parque_praca_repub.pdf
In: http://ashistoriasdosmonumentosdorio.blogspot.com.br/2010/10/campo-de-santana-o-nome-desde-sua-origem.html
In: http://www.rioquepassou.com.br/2006/04/06/ministerio-da-guerra-inicio-dos-anos-30/
In: http://www.cml.eb.mil.br/?id=1&lang=br
In: http://www.stm.jus.br/institucional/historico/sedes-do-tribunal
In: http://www.fotolog.com.br/sorio/67417924/
In: http://www.jblog.com.br/rioantigo.php?itemid=20833
In: http://everderame.wordpress.com/igrejas-demolidas-destruidas-e-arrasadas/
In: http://pt.wikipedia.org/wiki/Avenida_Presidente_Vargas

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